Camarotti: Parlamentares alcançam assinaturas para CPIs do Banco Master Na Cúpula do Congresso, a percepção é de que o clima político não é favorável para a instalação de CPIs com objetivo de investigar o caso do Banco Master neste momento. O próprio presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado resistência à abertura da comissão. Segundo relatos de líderes, a análise final sobre a viabilidade da CPI deve ocorrer somente após o recesso parlamentar, com a retomada dos trabalhos em fevereiro. Alcolumbre pretende conversar com outros senadores para medir o ambiente político antes de tomar qualquer decisão. Hoje, já há número suficiente de assinaturas para a criação de uma CPI no Senado e também de uma comissão mista, além de um requerimento com apoio mínimo para uma CPI na Câmara dos Deputados. Leia também: Parlamentares alcançam assinaturas para CPI e CPMI do Banco Master; criação depende de Alcolumbre Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 Rovena Rosa/Agência Brasil Na Câmara, os pedidos entram em uma fila, o que tende a retardar a instalação. No Congresso Nacional, o entendimento é diferente: há precedentes de que não existe fila para CPIs mistas. Nesses casos, basta a leitura do requerimento em sessão do Congresso para que a comissão possa ser instalada. Um dos caminhos para postergar o processo é justamente atrasar a convocação de sessões do Congresso Nacional. Sem sessão, não há leitura do requerimento — e, sem leitura, a CPI não sai do papel. Esse mecanismo permitiria “empurrar com a barriga” a criação de uma CPI mista. Há, no entanto, precedente claro do Supremo Tribunal Federal no sentido contrário. Durante a CPI da Covid, o STF decidiu que, uma vez cumpridos os requisitos regimentais, a instalação da comissão é obrigatória após a leitura do pedido em sessão do Congresso, como mostrou o g1 na época ao detalhar a decisão da Corte. Mesmo assim, interlocutores avaliam que a presidência do Congresso pode lançar mão desse expediente para tentar adiar a abertura da CPMI do Banco Master. A percepção é de que o fato de este ser um ano eleitoral dificulta ainda mais qualquer avanço. Há também o entendimento de que, para o Executivo, mesmo CPIs que não tenham como alvo direto o governo são indesejáveis neste momento. O argumento é que comissões de inquérito tendem a paralisar a agenda legislativa e contaminar o ambiente político, como já ocorreu em outros momentos. Nos bastidores, porém, o fator apontado como central para a resistência é a chamada bancada ligada a Daniel Vorcaro. O empresário manteve relações próximas com lideranças influentes, especialmente no Centrão. Esse grupo tem atuado, inclusive durante o recesso parlamentar, para tentar barrar a instalação da CPI, apesar de já existirem assinaturas suficientes tanto na Câmara quanto no Senado.
Cúpula do Congresso vê ambiente desfavorável para criação de CPI do Banco Master
Guia Modelo Escrito em 21/01/2026
Camarotti: Parlamentares alcançam assinaturas para CPIs do Banco Master Na Cúpula do Congresso, a percepção é de que o clima político não é favorável para a instalação de CPIs com objetivo de investigar o caso do Banco Master neste momento. O próprio presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado resistência à abertura da comissão. Segundo relatos de líderes, a análise final sobre a viabilidade da CPI deve ocorrer somente após o recesso parlamentar, com a retomada dos trabalhos em fevereiro. Alcolumbre pretende conversar com outros senadores para medir o ambiente político antes de tomar qualquer decisão. Hoje, já há número suficiente de assinaturas para a criação de uma CPI no Senado e também de uma comissão mista, além de um requerimento com apoio mínimo para uma CPI na Câmara dos Deputados. Leia também: Parlamentares alcançam assinaturas para CPI e CPMI do Banco Master; criação depende de Alcolumbre Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 Rovena Rosa/Agência Brasil Na Câmara, os pedidos entram em uma fila, o que tende a retardar a instalação. No Congresso Nacional, o entendimento é diferente: há precedentes de que não existe fila para CPIs mistas. Nesses casos, basta a leitura do requerimento em sessão do Congresso para que a comissão possa ser instalada. Um dos caminhos para postergar o processo é justamente atrasar a convocação de sessões do Congresso Nacional. Sem sessão, não há leitura do requerimento — e, sem leitura, a CPI não sai do papel. Esse mecanismo permitiria “empurrar com a barriga” a criação de uma CPI mista. Há, no entanto, precedente claro do Supremo Tribunal Federal no sentido contrário. Durante a CPI da Covid, o STF decidiu que, uma vez cumpridos os requisitos regimentais, a instalação da comissão é obrigatória após a leitura do pedido em sessão do Congresso, como mostrou o g1 na época ao detalhar a decisão da Corte. Mesmo assim, interlocutores avaliam que a presidência do Congresso pode lançar mão desse expediente para tentar adiar a abertura da CPMI do Banco Master. A percepção é de que o fato de este ser um ano eleitoral dificulta ainda mais qualquer avanço. Há também o entendimento de que, para o Executivo, mesmo CPIs que não tenham como alvo direto o governo são indesejáveis neste momento. O argumento é que comissões de inquérito tendem a paralisar a agenda legislativa e contaminar o ambiente político, como já ocorreu em outros momentos. Nos bastidores, porém, o fator apontado como central para a resistência é a chamada bancada ligada a Daniel Vorcaro. O empresário manteve relações próximas com lideranças influentes, especialmente no Centrão. Esse grupo tem atuado, inclusive durante o recesso parlamentar, para tentar barrar a instalação da CPI, apesar de já existirem assinaturas suficientes tanto na Câmara quanto no Senado.

