Do exército francês à Copa da Panificação: brasileiro troca farda por farinha e brilha em competição mundial

Guia Modelo Escrito em 11/05/2026


Brasileiro sai do exército francês e participa da Copa do Mundo da Panificação De missões internacionais secretas à Copa do Mundo de Panificação. O brasileiro Pablo Assunção, de 36 anos, passou dez anos sendo militar da Legião Estrangeira Francesa até decidir mudar de carreira. Hoje, ele é padeiro e confeiteiro em Washington, nos Estados Unidos, mas sonha em abrir a própria padaria em Santos, no litoral de São Paulo. Ao g1, Pablo contou que nasceu em Cubatão, mas morou a infância e a adolescência em São Vicente e em Santos. Ele começou a carreira militar servindo o Exército Brasileiro em Praia Grande. Depois, entrou para a equipe dos bombeiros da usina siderúrgica da Usiminas, também em Cubatão. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. "Por coincidência do destino, em um dia que estava de folga, acabei indo trabalhar e parei em um posto com um amigo que tentou entrar para a Legião. Eu não conhecia. Quando ele me falou, foi o primeiro clique na minha cabeça. Ali, vi realmente uma oportunidade de mudar de vida", lembrou. Pablo Assunção, de 36 anos, saiu do exército francês e participou da Copa do Mundo da Panificação Arquivo Pessoal Em 2014, Pablo conseguiu entrar para a Legião Estrangeira, que faz parte do exército da França e é conhecida por ser aberta a recrutamentos de estrangeiros. Ele explicou que passou por diversos testes até ser aceito e, com quatro anos de serviço, foi naturalizado francês. "Muitas coisas, não posso falar, pois sou impedido por juramento. Mas, a Legião Estrangeira, além de ser um dos exércitos mais temidos do mundo, é o mais disciplinado", disse Pablo. "É um exército rigoroso, onde sim você faz missões reais, porém tem oportunidades. É uma vida de dedicação e disciplina. Sempre digo que tudo na vida tem um preço a pagar, e esse foi o meu", completou ele. Mudança de carreira Pablo Assunção, de 36 anos, saiu do exército francês e participou da Copa do Mundo da Panificação Arquivo Pessoal Quando completou uma década na Legião Estrangeira, Pablo decidiu encerrar a carreira militar. De acordo com ele, o interesse pela panificação surgiu após ver o irmão mais novo trabalhando na área. "Nunca fui uma pessoa que gosta de ficar estagnada. Eu necessito estar sempre em mudança, estar sempre aprendendo", explicou Pablo, que se formou em boulanger (padeiro) e patissier (confeiteiro) na escola Christian Vabret, na França. A formação de Pablo foi paga pela Legião Estrangeira Francesa, que oferece um plano de carreira para soldados que desejam mudar de profissão. "Foi uma das maiores ajudas da minha vida, onde vi que valeu a pena ter servido por dez anos, mesmo com todas as dificuldades", ressaltou. Copa do Mundo Pablo Assunção, de 36 anos, representou o Brasil na Copa do Mundo da Panificação Arquivo Pessoal Durante a formação, Pablo descobriu que existia uma Copa do Mundo de Panificação em Paris, e que o Brasil não participava há dez anos. Ele contou que fez uma promessa para o criador da competição de que voltaria ao país para montar uma equipe e assim foi feito. "O destino me colocou com o chef Fernando de Oliveira, o qual foi o precursor disso. Ele participou da edição de 2016, onde foi a primeira vez e última que o Brasil se classificou para uma final. Neste momento, o plano começou a tomar forma", lembrou Pablo. A equipe brasileira conseguiu se classificar para a final e terminou na 8ª colocação. Ainda segundo Pablo, eram dez países na competição e a Coreia do Sul foi a grande vencedora. Pablo Assunção, de 36 anos, homenageou Santos Dumont na Copa do Mundo da Panificação Arquivo Pessoal "Nós olhamos para países de primeiro mundo, onde um padeiro que tem um nível de competição é tratado com um verdadeiro atleta, onde ele tem todo o apoio moral e financeiro. Para a gente, foi um verdadeiro sufoco [...] Valeu a pena? Sim e faria tudo novamente. Foi a maior experiência da minha vida saber que estamos ao lado dos melhores, mesmo com todas as dificuldades", afirmou Pablo. Sonhos O padeiro afirmou que tem vivido várias vidas em uma só. Atualmente, ele trabalha nos Estados Unidos, mas destacou que ainda tem muitas conquistas para alcançar. "O meu maior sonho e vontade é voltar para Santos e abrir a minha padaria. É um projeto para o futuro e espero conseguir realizar, mostrar o que aprendi e fazer acontecer no meu lar do coração", finalizou. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos