Presidente do Paraguai anuncia ressarcimento de clientes de banco e indica novo chefe para o BC

Guia Modelo Escrito em 04/11/2026


Paraguai vive onda de protestos em meio a crise bancária O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quarta-feira (4) medidas para ressarcir os clientes afetados pela dissolução do banco digital Ueno. O governo também indicou um novo presidente para o Banco Central, após a renúncia de Carlos Carvallo, na terça-feira (3). Em uma publicação no X, Peña afirmou que pretende iniciar os pagamentos ainda nesta semana, mediante a aprovação de uma lei pelo Congresso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o jornal paraguaio La Nación, oito diretores do Ueno Bank foram presos durante a intervenção e dissolução da instituição financeira. Eles foram levados para prestar depoimento ao Ministério Público, que investiga suspeitas de fraude, quebra de confiança e práticas que podem ter contribuído para a falência do banco. A crise envolvendo a instituição desencadeou uma onda de protestos e aumentou a pressão sobre o governo paraguaio, uma vez que Santiago Peña foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025. Entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BC Clientes do Ueno Bank protestam em Assunção, no Paraguai, após a intervenção do Banco Central paraguaio na instituição financeira. Daniel Duarte/AFP "Entendo a incerteza que uma situação como essa provoca e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão o esforço e o trabalho de milhares de paraguaios", declarou. Segundo Peña, o governo já iniciou as articulações com os presidentes das duas Casas do Congresso para acelerar a aprovação da proposta que permitirá a devolução dos recursos. "Com a aprovação dessa lei, adotaremos uma medida concreta e eficaz para atender 98% dos poupadores da instituição afetada, com o início dos pagamentos ainda nesta semana", afirmou. Novo presidente do Banco Central O presidente paraguaio também encaminhou um pedido de aprovação constitucional para a nomeação do economista Raúl Vera Bogado como novo presidente do Banco Central do Paraguai. O governo indicou ainda Pedro Acosta e Hetzel González para ocupar duas diretorias da autoridade monetária. A nomeação ainda depende de aprovação pelo Senado do Paraguai. Segundo o presidente, os três têm "ampla experiência" no setor bancário, incluindo anos de atuação no Banco Central e experiência na gestão de crises. As indicações ocorrem após a renúncia de Carlos Carvallo, anunciada na terça-feira, em meio às críticas à fiscalização do Ueno. Carvallo havia comandado o banco Ueno até agosto de 2023. Por conta disso, parlamentares questionavam a atuação do Banco Central na supervisão da instituição financeira. Peña tenta tranquilizar clientes afetados Na declaração divulgada nas redes sociais, Peña afirmou que o sistema financeiro paraguaio é sólido e conta com mecanismos de proteção aos clientes. O presidente também afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades serão responsabilizados judicialmente. "Tenham a certeza de que aqueles que forem considerados responsáveis por irregularidades deverão responder por seus atos perante a Justiça, sem exceções", disse. Entenda a crise do Ueno Bank O Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, enfrentava problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência da instituição, que mede sua capacidade de pagamento, caiu para menos da metade do mínimo exigido. Diante da situação, o Banco Central iniciou um procedimento para proteger os depositantes e reduzir possíveis impactos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público também pediu a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco. A crise levou clientes a procurar agências da instituição na terça-feira (3), mas muitos encontraram as portas fechadas. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio do Ueno. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco administra aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos no Paraguai. Vista aérea mostra a sede do Ueno Bank, em Assunção, no Paraguai. Reuters