O Procurador-Geral da República Paulo Gonet Victor Piemonte/STF A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou nesta terça-feira (1) pela nulidade da investigação comandada por André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. Os diálogos estão em um relatório enviado pela PF ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da PGR, agora divulgada. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz que o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco DeMaster no STF, não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF. "Se a autoridade policial deve interromper as suas investigações para que sobre elas delibere o órgão do Judiciário encarregado do julgamento, com maioria de razão não deve o relator admitir e nem determinar que um Colega da Corte seja escrutinado. Na realidade, o relator nem sequer detém competência para dirigir as ações policiais contra alvos que resolva mirar. Quem investiga, na fase pré-processual é polícia judiciária, cabendo ao Ministério Público, como órgão de acusação, com a titularidade única para propor a ação penal, igualmente buscar elementos de convicção", diz o texto. Paulo Gonet afirma ainda que "ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais". Ainda de acordo com o PGR, a nulidade foi provocada porque cabe ao plenário do STF processar e julgar um ministro do Corte, sendo que pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional, quando surge indício de crime de um magistrado, o material tem que ser encaminhado ao órgão competente para julgamento para que se prossiga na investigação. "Paradigmáticas decisões do Supremo Tribunal Federal não deixam dúvida de que a assunção pelo juiz de funções alheias às suas é causa de nulidade, que afeta os resultados da ação malsinada", afirma a manifestação. Na manifestação, a PGR não trata se as condutas apontadas pela PF podem representar indícios de crimes ou não. Menções a Gonet Mensagens recuperadas pela PF do celular de Daniel Vorcaro também indicam proximidade entre o banqueiro e Paulo Gonet. O advogado Ciro Soares aparece como principal interlocutor entre os dois. Ele foi um dos advogados que impetraram habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a primeira decisão que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro. Decisão Mendonça Nesta terça, o ministro André Mendonça sugeriu em decisão que os novos elementos apresentados pela PF sobre o caso sejam avaliados pelo plenário do STF. A decisão de submeter o caso ao plenário depende dos ministros e do presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça afirmou que eventual decisão do plenário deverá ocorrer “de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado”, e que cabe a Fachin determinar uma data para deliberação.
PGR diz que é nula investigação ordenada por André Mendonça que apontou relação de Moraes e Vorcaro
Guia Modelo Escrito em 02/09/2026
O Procurador-Geral da República Paulo Gonet Victor Piemonte/STF A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou nesta terça-feira (1) pela nulidade da investigação comandada por André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. Os diálogos estão em um relatório enviado pela PF ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da PGR, agora divulgada. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz que o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco DeMaster no STF, não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF. "Se a autoridade policial deve interromper as suas investigações para que sobre elas delibere o órgão do Judiciário encarregado do julgamento, com maioria de razão não deve o relator admitir e nem determinar que um Colega da Corte seja escrutinado. Na realidade, o relator nem sequer detém competência para dirigir as ações policiais contra alvos que resolva mirar. Quem investiga, na fase pré-processual é polícia judiciária, cabendo ao Ministério Público, como órgão de acusação, com a titularidade única para propor a ação penal, igualmente buscar elementos de convicção", diz o texto. Paulo Gonet afirma ainda que "ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais". Ainda de acordo com o PGR, a nulidade foi provocada porque cabe ao plenário do STF processar e julgar um ministro do Corte, sendo que pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional, quando surge indício de crime de um magistrado, o material tem que ser encaminhado ao órgão competente para julgamento para que se prossiga na investigação. "Paradigmáticas decisões do Supremo Tribunal Federal não deixam dúvida de que a assunção pelo juiz de funções alheias às suas é causa de nulidade, que afeta os resultados da ação malsinada", afirma a manifestação. Na manifestação, a PGR não trata se as condutas apontadas pela PF podem representar indícios de crimes ou não. Menções a Gonet Mensagens recuperadas pela PF do celular de Daniel Vorcaro também indicam proximidade entre o banqueiro e Paulo Gonet. O advogado Ciro Soares aparece como principal interlocutor entre os dois. Ele foi um dos advogados que impetraram habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a primeira decisão que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro. Decisão Mendonça Nesta terça, o ministro André Mendonça sugeriu em decisão que os novos elementos apresentados pela PF sobre o caso sejam avaliados pelo plenário do STF. A decisão de submeter o caso ao plenário depende dos ministros e do presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça afirmou que eventual decisão do plenário deverá ocorrer “de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado”, e que cabe a Fachin determinar uma data para deliberação.

