Servidora diz que fez empréstimo para entregar dinheiro ao vereador Lórens Nogueira A servidora suspeita de repassar parte do salário ao vereador de Curitiba, Lórens Nogueira (PP), afirmou, em depoimento ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que chegou a pedir ajuda financeira da família e até a fazer um empréstimo para conseguir entregar o dinheiro exigido pelo parlamentar. Assista acima. O g1 não vai identificar a testemunha. Na última terça-feira (26), Lórens foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga a prática da "rachadinha" e outros crimes. "O meu último salário acabou que o banco bloqueou, e eu não tinha realmente da onde tirar essa parte de dinheiro para entregar para ele. Me senti pressionada [...] Eu tinha prazo de dois dias para arrumar o valor, que era aproximadamente R$ 6 mil", contou. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp ➡️ “Rachadinha” é o termo usado para descrever um esquema ilegal em que servidores comissionados ou assessores de gabinetes públicos são obrigados a devolver parte dos salários para políticos ou superiores. Além do depoimento da servidora e de outras testemunha, integra a investigação um vídeo que mostra Lórens recebendo R$ 5.600 da funcionária, em dinheiro vivo. O vídeo, obtido com exclusividade pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, foi gravado com autorização da Justiça, a pedido do MP. As imagens mostram o parlamentar contando as notas, conversando com a servidora e guardando o dinheiro dentro de uma mochila, na sede do instituto que ele preside, em Curitiba. Veja: Vereador Lórens Nogueira é filmado recebendo dinheiro vivo de funcionária Até a operação, Lórens ocupava o cargo de presidente do Conselho de Ética da Câmara de Curitiba. Após a repercussão do caso, ele pediu para deixar a posição. Lórens Nogueira é natural de Curitiba e foi eleito vereador da capital pela primeira vez nas eleições de 2024, com 4.727 votos. A defesa do vereador disse, em nota, que está analisando o processo para tomar as medidas cabíveis. O PP, partido do vereador, disse que não vai se manifestar sobre o caso. Servidora diz que trabalhava com medo Vereador investigado por 'rachadinha' aparece contando as notas de dinheiro em vídeo Reprodução No depoimento, a servidora disse que trabalhou com o vereador durante a campanha eleitoral e depois foi nomeada para um cargo no estado por indicação dele. Segundo ela, os repasses eram feitos sempre em dinheiro vivo, em locais combinados por ligação telefônica. Ela afirmou ainda que os pagamentos eram feitos geralmente no mesmo dia em que o salário caía na conta e que havia pressão constante para os repasses. "A gente trabalha todo dia com medo. Além de eu não ter o meu salário, ainda tenho que passar a parte dele", contou. Lórens Nogueira (PP), vereador de Curitiba Diretoria de Comunicação Social/CMC A servidora também disse que precisava participar de eventos promovidos pelo instituto presidido por Nogueira, inclusive aos fins de semana e feriados. “Você trabalha das 7h às 19h. [...] Não ganha meio de locomoção, vale transporte ou gasolina, alimentação. Às vezes tem uma alimentação que ele dá lá mesmo, mas muitas vezes a gente acaba tendo que tirar de recurso próprio", disse. Os investigadores apontam que o caso da servidora não era o único e suspeitam que o esquema funcionava desde o início do mandato do vereador, envolvendo todos os 12 servidores nomeados por ele. Segundo o Ministério Público, em alguns casos, os funcionários tinham que repassar mais da metade dos salários ao parlamentar. Leia também: VÍDEO: influenciador emociona ao se gravar ouvindo som das Cataratas do Iguaçu pela primeira vez com aparelho auditivo Veja: influenciadora vai parar em delegacia após pegar carona em aplicativo e polícia descobrir contrabando de canetas emagrecedoras no carro Paraná: OAB-PR pede afastamento de desembargador suspeito de ter 'vendido' decisão judicial em troca de quadriciclo Vereadores pedem abertura de processo para cassação Vereador investigado por 'rachadinha' aparece contando as notas de dinheiro em vídeo. Reprodução A bancada do partido Novo na Câmara de Curitiba protocolou no final da noite de terça-feira uma representação pedindo a abertura de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Lórens Nogueira. No documento, direcionado à Mesa Diretora da CMC, vereadores pedem que sejam investigadas as práticas de utilização do mandato para atos de corrupção ou improbidade administrativa e de "conduta incompatível com a dignidade da Câmara". Caso o processo avance no Legislativo, Nogueira pode ter o mandato cassado. A representação da bancada também solicita que a CMC peça ao Ministério Público que compartilhe as provas obtidas durante a operação. O documento também lista testemunhas do processo para serem ouvidas na Câmara. A Câmara informou, nesta quarta (27), que a Mesa Diretora considerou o pedido admissível e encaminhou o caso à Corregedoria para análise preliminar e eventual adoção das medidas regimentais cabíveis. Mais de R$ 100 mil apreendidos durante operação Gaeco encontrou duas malas com grande quantia de dinheiro em operação MPPR Segundo o Gaeco, duas malas contendo grandes quantias em dinheiro foram apreendidas. Uma delas, que estava na casa do vereador, tinha cerca de R$ 100 mil. Outra, com R$ 8 mil, estava no endereço de uma assessora que não teve o nome divulgado. "No curso da investigação, que contou com autorização judicial para a realização de ação controlada, foi possível identificar repasses de valores ao vereador investigado compatíveis com a prática conhecida como rachadinha", disse o MP. Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos que serão periciados durante a investigação. A ação também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Garantias. O MP não divulgou os nomes de todos os alvos, nem a quem pertencem os endereços. O que diz a defesa do vereador Leia na íntegra a nota mais recente do advogado que representa o vereador: "A defesa do vereador Lórens Nogueira informa que teve acesso aos autos do processo e iniciou a análise técnica para a adoção das medidas jurídicas cabíveis. O vereador apresentou pedido de desligamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para preservar a regularidade dos procedimentos e evitar questionamento sobre a condução dos trabalhos. Sobre o pedido de cassação, a defesa ressalta que qualquer iniciativa dessa natureza deve respeitar rigorosamente o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência. Todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno, dentro dos autos e pelas vias legais adequadas". VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.
'Me senti pressionada': servidora diz que fez empréstimo para entregar dinheiro a Lórens Nogueira, vereador de Curitiba suspeito de 'rachadinha'
Guia Modelo Escrito em 27/05/2026
Servidora diz que fez empréstimo para entregar dinheiro ao vereador Lórens Nogueira A servidora suspeita de repassar parte do salário ao vereador de Curitiba, Lórens Nogueira (PP), afirmou, em depoimento ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que chegou a pedir ajuda financeira da família e até a fazer um empréstimo para conseguir entregar o dinheiro exigido pelo parlamentar. Assista acima. O g1 não vai identificar a testemunha. Na última terça-feira (26), Lórens foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga a prática da "rachadinha" e outros crimes. "O meu último salário acabou que o banco bloqueou, e eu não tinha realmente da onde tirar essa parte de dinheiro para entregar para ele. Me senti pressionada [...] Eu tinha prazo de dois dias para arrumar o valor, que era aproximadamente R$ 6 mil", contou. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp ➡️ “Rachadinha” é o termo usado para descrever um esquema ilegal em que servidores comissionados ou assessores de gabinetes públicos são obrigados a devolver parte dos salários para políticos ou superiores. Além do depoimento da servidora e de outras testemunha, integra a investigação um vídeo que mostra Lórens recebendo R$ 5.600 da funcionária, em dinheiro vivo. O vídeo, obtido com exclusividade pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, foi gravado com autorização da Justiça, a pedido do MP. As imagens mostram o parlamentar contando as notas, conversando com a servidora e guardando o dinheiro dentro de uma mochila, na sede do instituto que ele preside, em Curitiba. Veja: Vereador Lórens Nogueira é filmado recebendo dinheiro vivo de funcionária Até a operação, Lórens ocupava o cargo de presidente do Conselho de Ética da Câmara de Curitiba. Após a repercussão do caso, ele pediu para deixar a posição. Lórens Nogueira é natural de Curitiba e foi eleito vereador da capital pela primeira vez nas eleições de 2024, com 4.727 votos. A defesa do vereador disse, em nota, que está analisando o processo para tomar as medidas cabíveis. O PP, partido do vereador, disse que não vai se manifestar sobre o caso. Servidora diz que trabalhava com medo Vereador investigado por 'rachadinha' aparece contando as notas de dinheiro em vídeo Reprodução No depoimento, a servidora disse que trabalhou com o vereador durante a campanha eleitoral e depois foi nomeada para um cargo no estado por indicação dele. Segundo ela, os repasses eram feitos sempre em dinheiro vivo, em locais combinados por ligação telefônica. Ela afirmou ainda que os pagamentos eram feitos geralmente no mesmo dia em que o salário caía na conta e que havia pressão constante para os repasses. "A gente trabalha todo dia com medo. Além de eu não ter o meu salário, ainda tenho que passar a parte dele", contou. Lórens Nogueira (PP), vereador de Curitiba Diretoria de Comunicação Social/CMC A servidora também disse que precisava participar de eventos promovidos pelo instituto presidido por Nogueira, inclusive aos fins de semana e feriados. “Você trabalha das 7h às 19h. [...] Não ganha meio de locomoção, vale transporte ou gasolina, alimentação. Às vezes tem uma alimentação que ele dá lá mesmo, mas muitas vezes a gente acaba tendo que tirar de recurso próprio", disse. Os investigadores apontam que o caso da servidora não era o único e suspeitam que o esquema funcionava desde o início do mandato do vereador, envolvendo todos os 12 servidores nomeados por ele. Segundo o Ministério Público, em alguns casos, os funcionários tinham que repassar mais da metade dos salários ao parlamentar. Leia também: VÍDEO: influenciador emociona ao se gravar ouvindo som das Cataratas do Iguaçu pela primeira vez com aparelho auditivo Veja: influenciadora vai parar em delegacia após pegar carona em aplicativo e polícia descobrir contrabando de canetas emagrecedoras no carro Paraná: OAB-PR pede afastamento de desembargador suspeito de ter 'vendido' decisão judicial em troca de quadriciclo Vereadores pedem abertura de processo para cassação Vereador investigado por 'rachadinha' aparece contando as notas de dinheiro em vídeo. Reprodução A bancada do partido Novo na Câmara de Curitiba protocolou no final da noite de terça-feira uma representação pedindo a abertura de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Lórens Nogueira. No documento, direcionado à Mesa Diretora da CMC, vereadores pedem que sejam investigadas as práticas de utilização do mandato para atos de corrupção ou improbidade administrativa e de "conduta incompatível com a dignidade da Câmara". Caso o processo avance no Legislativo, Nogueira pode ter o mandato cassado. A representação da bancada também solicita que a CMC peça ao Ministério Público que compartilhe as provas obtidas durante a operação. O documento também lista testemunhas do processo para serem ouvidas na Câmara. A Câmara informou, nesta quarta (27), que a Mesa Diretora considerou o pedido admissível e encaminhou o caso à Corregedoria para análise preliminar e eventual adoção das medidas regimentais cabíveis. Mais de R$ 100 mil apreendidos durante operação Gaeco encontrou duas malas com grande quantia de dinheiro em operação MPPR Segundo o Gaeco, duas malas contendo grandes quantias em dinheiro foram apreendidas. Uma delas, que estava na casa do vereador, tinha cerca de R$ 100 mil. Outra, com R$ 8 mil, estava no endereço de uma assessora que não teve o nome divulgado. "No curso da investigação, que contou com autorização judicial para a realização de ação controlada, foi possível identificar repasses de valores ao vereador investigado compatíveis com a prática conhecida como rachadinha", disse o MP. Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos e documentos que serão periciados durante a investigação. A ação também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara de Garantias. O MP não divulgou os nomes de todos os alvos, nem a quem pertencem os endereços. O que diz a defesa do vereador Leia na íntegra a nota mais recente do advogado que representa o vereador: "A defesa do vereador Lórens Nogueira informa que teve acesso aos autos do processo e iniciou a análise técnica para a adoção das medidas jurídicas cabíveis. O vereador apresentou pedido de desligamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, para preservar a regularidade dos procedimentos e evitar questionamento sobre a condução dos trabalhos. Sobre o pedido de cassação, a defesa ressalta que qualquer iniciativa dessa natureza deve respeitar rigorosamente o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência. Todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno, dentro dos autos e pelas vias legais adequadas". VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

