Quem são os veterinários que viraram réus no processo que apura a venda de sangue de gato A defesa de uma das duas veterinárias que viraram rés no caso da venda clandestina de sangue de gatos em Monte Alto (SP) se manifestou publicamente pela primeira vez. Em entrevista ao g1, o advogado sustentou que ela não tinha controle sobre a coleta que terminou em flagrante e que, quase um ano depois dos fatos, nunca foi ouvida na investigação. "Desde outubro, há quase um ano, ela nunca foi ouvida. Nunca", afirmou o advogado Daniel Seixas Rondi, que representa Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos, apontada pelo Ministério Público (MP) como uma das chefes do grupo. Ele também critica a forma como o caso repercutiu nas redes sociais e diz que a cliente vem sendo julgada antes de poder se defender. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A entrevista foi concedida um dia depois de a Justiça de Monte Alto negar todos os pedidos que o MP havia feito contra ela, entre eles a suspensão do registro profissional. Gatos foram encontrados desacordados em clínica clandestina de coleta de sangue em Monte Alto, SP Polícia Civil "Ela nunca foi ouvida" A queixa se confirma nos autos. A polícia expediu duas cartas precatórias à delegacia de São José do Rio Preto para localizá-la e ouvi-la, em outubro de 2025 e maio de 2026, em endereços diferentes. As duas voltaram sem sucesso. Em maio, ao oficiar a delegacia de Rio Preto, o delegado Marcelo Lorenço dos Santos registrou que ela "sequer foi localizada para prestar declarações". No relatório final, em agosto, anotou que a investigada não foi encontrada nos endereços diligenciados, "o que não obsta o indiciamento". Ela foi indiciada sem nunca ter dado sua versão. A defesa afirma que isso não aconteceu por falta de tentativa dela. Rondi juntou ao processo uma petição assinada em 14 de outubro de 2025, dirigida a um delegado de São José do Rio Preto, em um inquérito paralelo. No documento, anexa procuração, justifica a ausência dela a uma oitiva marcada e pede nova data. Segundo ele, a remarcação nunca veio, e não há registro de nova convocação nos autos. "É incoerente. A promotora sabe que a ela tem rede social, tem telefone. Um advogado com um telefone, com um documento juntado no inquérito, e simplesmente ninguém ouve ela", disse. A carta precatória de maio traz o telefone dela. Não há nos autos registro de tentativa de contato por esse número. Material utilizado para coleta e venda de sangue dos animais Divulgação A tese sobre a coleta A defesa separa duas atividades: a coleta do sangue e o banco de sangue que recebe as bolsas. Para o advogado, a responsabilidade pelo que ocorreu na casa de Monte Alto é de quem estava lá. "Ela pagava por um serviço que até então ela estava acreditando ser um serviço regular", afirmou. Segundo ele, a expectativa era de que o estudante de veterinária preso no flagrante reunisse uma equipe habilitada, com local adequado e acompanhamento de veterinário, e que os autos indicam que isso não ocorreu LEIA MAIS Quem são os veterinários réus apontados pelo MP no caso da venda de sangue de gatos no interior de SP Sangue de gatos era vendido por até R$ 800 após coletas clandestinas no interior de SP, diz investigação MP denuncia 2 veterinários e mais 3 investigados após novo inquérito sobre venda de sangue de gatos em SP Venda de sangue de gatos no interior de SP: o que se sabe sobre o caso Trio é preso suspeito de venda clandestina de sangue de gato no interior de SP Anúncio oferecia R$ 50 a tutores por coleta clandestina de sangue de gato no interior de SP Perguntado se ela não seria responsável por conhecer a procedência do sangue que comercializava, respondeu que sim. Disse que cada bolsa vinha acompanhada de termo de doação do tutor e era enviada a laboratório para uma bateria de exames, com nota fiscal emitida e tributos recolhidos. Coleta clandestina de sangue de animais era feita em casa com condições insalubres em Monte Alto, SP Polícia Civil "A boa-fé a gente presume, a má-fé a gente prova", afirmou. E desafiou a acusação: "Onde está escrito que ela estava pagando para ele fazer coleta clandestina? Não tem." Ele também nega qualquer ligação dela com Rentao Franco, outro veterinário réu. "Ela não tem nenhuma ligação com o Renato. Eles são concorrentes." Renato Franco disse o mesmo à polícia em novembro de 2025, quando foi ouvido acompanhado de advogado: afirmou não ter vínculo com ela e que as empresas dos dois são concorrentes. Renato Franco e Thais Antonussi são réus no processo de venda ilegal de sangue de gatos em SP Divulgação O que diz a acusação A denúncia do MP sustenta o contrário. Para a promotora Haline Barreto Afonso, ela exercia a coordenação geral do grupo, determinava a rotina de coletas, negociava os pagamentos e recebia o material. A acusação se apoia em mensagens extraídas do celular de um dos auxiliares. Em abril de 2025, ela comunica uma mudança na forma de pagamento: "Eu não vou mais pagar por mês pra vocês pelo serviço prestado. Eu vou pagar por dia. Por dia de coleta." Em seguida, detalha o cálculo, fixa R$ 180 por diária mais R$ 25 para alimentação e, oito dias depois, confirma o repasse de R$ 1.080 por seis dias trabalhados. Há comprovantes de PIX pagos por uma empresa ligada a ela. Os outros dois réus também a citaram. O estudante disse que, ao ser procurado pela intermediária de Monte Alto, repassou a informação a ela. O auxiliar afirmou que, no dia do flagrante, foi ela quem pediu que ele fosse à cidade com os outros dois. Delegado fala sobre segunda fase de inquérito sobre venda de sangue de gatos em Monte Alto A crítica à exposição do caso O advogado afirma que a cliente vem sendo julgada antes do contraditório e que soube da ação penal pela imprensa, não por intimação. "Eu falei para ela: na internet, onde é que você fica querendo se defender? Vamos entrar no processo e vamos demonstrar no processo o que nós estamos falando", disse. Ele sustenta que o cuidado em não julgar antecipadamente é um dos caminhos para construir relações mais justas e que pretende demonstrar a inocência dela ao longo da ação penal. O que decidiu a Justiça Na quinta-feira (24), a juíza Suellen Rocha Lipolis negou os pedidos do MP para suspender o exercício da medicina veterinária pela ré, proibir que ela ministre cursos e bloquear dois perfis dela no Instagram. Segundo a decisão, os cursos são realizados no laboratório de uma faculdade de veterinária de São Paulo, tratam de protocolos técnicos e não registram uso de animais, o que os diferencia da conduta investigada. A medida, escreveu a juíza, teria "efeito drástico sobre atividade lícita e regularmente exercida" e funcionaria como "antecipação de pena". A decisão também registra que o CRMV-SP já abriu processo ético contra ela, a partir de documentos juntados pela defesa, e determina a citação no novo endereço informado pelo advogado. Até aquela data, nenhum dos cinco réus havia sido citado. Gato resgatado de esquema ilegal de coleta de sangue em Monte Alto, SP Polícia Civil Relembre o caso O caso veio à tona em outubro de 2025, quando a Guarda Municipal foi até uma casa em Monte Alto depois de uma denúncia sobre um anúncio que oferecia R$ 50 por gato a tutores dispostos a permitir a retirada de sangue. No local havia seis gatos desacordados, materiais de uso veterinário e frascos com sangue, segundo a Polícia Civil. Três pessoas foram presas em flagrante, entre elas o estudante de veterinária. Só ele foi mantido preso após a audiência de custódia e, segundo o delegado, foi solto durante o processo. Na segunda fase da investigação, a polícia indiciou cinco pessoas, entre elas dois veterinários. A Justiça recebeu a denúncia em 10 de setembro. Três respondem por maus-tratos a animais, por seis vezes, e associação criminosa. Os outros dois respondem só por associação criminosa, porque já são réus pelos maus-tratos na ação da primeira fase. Publicação no Instagram da Manancivet, empresa ligada a Renato Franco Reprodução/Redes Sociais Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Advogado de veterinária ré no caso do sangue de gatos em Monte Alto, SP, diz que ela nunca foi ouvida e critica redes
Guia Modelo Escrito em 26/09/2026
Quem são os veterinários que viraram réus no processo que apura a venda de sangue de gato A defesa de uma das duas veterinárias que viraram rés no caso da venda clandestina de sangue de gatos em Monte Alto (SP) se manifestou publicamente pela primeira vez. Em entrevista ao g1, o advogado sustentou que ela não tinha controle sobre a coleta que terminou em flagrante e que, quase um ano depois dos fatos, nunca foi ouvida na investigação. "Desde outubro, há quase um ano, ela nunca foi ouvida. Nunca", afirmou o advogado Daniel Seixas Rondi, que representa Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos, apontada pelo Ministério Público (MP) como uma das chefes do grupo. Ele também critica a forma como o caso repercutiu nas redes sociais e diz que a cliente vem sendo julgada antes de poder se defender. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A entrevista foi concedida um dia depois de a Justiça de Monte Alto negar todos os pedidos que o MP havia feito contra ela, entre eles a suspensão do registro profissional. Gatos foram encontrados desacordados em clínica clandestina de coleta de sangue em Monte Alto, SP Polícia Civil "Ela nunca foi ouvida" A queixa se confirma nos autos. A polícia expediu duas cartas precatórias à delegacia de São José do Rio Preto para localizá-la e ouvi-la, em outubro de 2025 e maio de 2026, em endereços diferentes. As duas voltaram sem sucesso. Em maio, ao oficiar a delegacia de Rio Preto, o delegado Marcelo Lorenço dos Santos registrou que ela "sequer foi localizada para prestar declarações". No relatório final, em agosto, anotou que a investigada não foi encontrada nos endereços diligenciados, "o que não obsta o indiciamento". Ela foi indiciada sem nunca ter dado sua versão. A defesa afirma que isso não aconteceu por falta de tentativa dela. Rondi juntou ao processo uma petição assinada em 14 de outubro de 2025, dirigida a um delegado de São José do Rio Preto, em um inquérito paralelo. No documento, anexa procuração, justifica a ausência dela a uma oitiva marcada e pede nova data. Segundo ele, a remarcação nunca veio, e não há registro de nova convocação nos autos. "É incoerente. A promotora sabe que a ela tem rede social, tem telefone. Um advogado com um telefone, com um documento juntado no inquérito, e simplesmente ninguém ouve ela", disse. A carta precatória de maio traz o telefone dela. Não há nos autos registro de tentativa de contato por esse número. Material utilizado para coleta e venda de sangue dos animais Divulgação A tese sobre a coleta A defesa separa duas atividades: a coleta do sangue e o banco de sangue que recebe as bolsas. Para o advogado, a responsabilidade pelo que ocorreu na casa de Monte Alto é de quem estava lá. "Ela pagava por um serviço que até então ela estava acreditando ser um serviço regular", afirmou. Segundo ele, a expectativa era de que o estudante de veterinária preso no flagrante reunisse uma equipe habilitada, com local adequado e acompanhamento de veterinário, e que os autos indicam que isso não ocorreu LEIA MAIS Quem são os veterinários réus apontados pelo MP no caso da venda de sangue de gatos no interior de SP Sangue de gatos era vendido por até R$ 800 após coletas clandestinas no interior de SP, diz investigação MP denuncia 2 veterinários e mais 3 investigados após novo inquérito sobre venda de sangue de gatos em SP Venda de sangue de gatos no interior de SP: o que se sabe sobre o caso Trio é preso suspeito de venda clandestina de sangue de gato no interior de SP Anúncio oferecia R$ 50 a tutores por coleta clandestina de sangue de gato no interior de SP Perguntado se ela não seria responsável por conhecer a procedência do sangue que comercializava, respondeu que sim. Disse que cada bolsa vinha acompanhada de termo de doação do tutor e era enviada a laboratório para uma bateria de exames, com nota fiscal emitida e tributos recolhidos. Coleta clandestina de sangue de animais era feita em casa com condições insalubres em Monte Alto, SP Polícia Civil "A boa-fé a gente presume, a má-fé a gente prova", afirmou. E desafiou a acusação: "Onde está escrito que ela estava pagando para ele fazer coleta clandestina? Não tem." Ele também nega qualquer ligação dela com Rentao Franco, outro veterinário réu. "Ela não tem nenhuma ligação com o Renato. Eles são concorrentes." Renato Franco disse o mesmo à polícia em novembro de 2025, quando foi ouvido acompanhado de advogado: afirmou não ter vínculo com ela e que as empresas dos dois são concorrentes. Renato Franco e Thais Antonussi são réus no processo de venda ilegal de sangue de gatos em SP Divulgação O que diz a acusação A denúncia do MP sustenta o contrário. Para a promotora Haline Barreto Afonso, ela exercia a coordenação geral do grupo, determinava a rotina de coletas, negociava os pagamentos e recebia o material. A acusação se apoia em mensagens extraídas do celular de um dos auxiliares. Em abril de 2025, ela comunica uma mudança na forma de pagamento: "Eu não vou mais pagar por mês pra vocês pelo serviço prestado. Eu vou pagar por dia. Por dia de coleta." Em seguida, detalha o cálculo, fixa R$ 180 por diária mais R$ 25 para alimentação e, oito dias depois, confirma o repasse de R$ 1.080 por seis dias trabalhados. Há comprovantes de PIX pagos por uma empresa ligada a ela. Os outros dois réus também a citaram. O estudante disse que, ao ser procurado pela intermediária de Monte Alto, repassou a informação a ela. O auxiliar afirmou que, no dia do flagrante, foi ela quem pediu que ele fosse à cidade com os outros dois. Delegado fala sobre segunda fase de inquérito sobre venda de sangue de gatos em Monte Alto A crítica à exposição do caso O advogado afirma que a cliente vem sendo julgada antes do contraditório e que soube da ação penal pela imprensa, não por intimação. "Eu falei para ela: na internet, onde é que você fica querendo se defender? Vamos entrar no processo e vamos demonstrar no processo o que nós estamos falando", disse. Ele sustenta que o cuidado em não julgar antecipadamente é um dos caminhos para construir relações mais justas e que pretende demonstrar a inocência dela ao longo da ação penal. O que decidiu a Justiça Na quinta-feira (24), a juíza Suellen Rocha Lipolis negou os pedidos do MP para suspender o exercício da medicina veterinária pela ré, proibir que ela ministre cursos e bloquear dois perfis dela no Instagram. Segundo a decisão, os cursos são realizados no laboratório de uma faculdade de veterinária de São Paulo, tratam de protocolos técnicos e não registram uso de animais, o que os diferencia da conduta investigada. A medida, escreveu a juíza, teria "efeito drástico sobre atividade lícita e regularmente exercida" e funcionaria como "antecipação de pena". A decisão também registra que o CRMV-SP já abriu processo ético contra ela, a partir de documentos juntados pela defesa, e determina a citação no novo endereço informado pelo advogado. Até aquela data, nenhum dos cinco réus havia sido citado. Gato resgatado de esquema ilegal de coleta de sangue em Monte Alto, SP Polícia Civil Relembre o caso O caso veio à tona em outubro de 2025, quando a Guarda Municipal foi até uma casa em Monte Alto depois de uma denúncia sobre um anúncio que oferecia R$ 50 por gato a tutores dispostos a permitir a retirada de sangue. No local havia seis gatos desacordados, materiais de uso veterinário e frascos com sangue, segundo a Polícia Civil. Três pessoas foram presas em flagrante, entre elas o estudante de veterinária. Só ele foi mantido preso após a audiência de custódia e, segundo o delegado, foi solto durante o processo. Na segunda fase da investigação, a polícia indiciou cinco pessoas, entre elas dois veterinários. A Justiça recebeu a denúncia em 10 de setembro. Três respondem por maus-tratos a animais, por seis vezes, e associação criminosa. Os outros dois respondem só por associação criminosa, porque já são réus pelos maus-tratos na ação da primeira fase. Publicação no Instagram da Manancivet, empresa ligada a Renato Franco Reprodução/Redes Sociais Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

