Congresso da Nicarágua inicia plano para acabar com eleições após ordem do presidente

Guia Modelo Escrito em 22/07/2026


Ortega acaba com as eleições no Nicarágua e oficializa ditadura O Congresso da Nicarágua anunciou um plano para acabar com o processo eleitoral do país, conforme dito pelo presidente Daniel Ortega. A medida, que formaliza o regime ditatorial do país, foi anunciada pelo presidente da Casa, Daniel Porras, nesta quarta-feira (22). Ortega, que governa desde 2007 e tem controle sobre o parlamento, fez o anúncio na última terça (21), durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, da qual ele fez parte. Ele disse que pretende aprovar novas leis para criar um "muro" contra a oposição. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp 🔍 A Revolução Sandinista derrubou a ditadura de Anastasio Somoza, na Nicarágua, em 19 de julho de 1979. Liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a revolução pôs fim a mais de quatro décadas de domínio da família Somoza. Daniel Ortega, um dos líderes do movimento, integrou o governo revolucionário, foi eleito presidente em 1984, deixou o poder em 1990 e voltou ao cargo em 2007, onde permanece até hoje. A partir das declarações do chefe de Estado sobre os processos políticos próprios da Nicarágua e dos nicaraguenses, para garantir a paz, a segurança, a estabilidade e a continuidade dos avanços no combate à pobreza, está iniciando as análises necessárias para elaborar um plano de trabalho”, consta no documento. Segundo Porras, a Assembléia Nacional vai realizar reuniões com o Conselho Supremo Eleitoral (equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE do Brasil) para assegurar “as etapas constitucionais, legais e formais” da reforma do sistema político. O governo de Ortega já vinha sendo acusado de enfraquecer a democracia após reprimir protestos, prender opositores e forçar o exílio de centenas de milhares de nicaraguenses. A última eleição no país, em 2021, foi amplamente contestada pela oposição e por observadores internacionais devido às denúncias de fraude e de aprisionamento de concorrentes. Nesta quarta, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que o governo restabeleça o Estado de Direito e garanta eleições livres. Na terça, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que os nicaraguenses têm o direito de escolher seus líderes por meio do voto. Foto de arquivo: Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e a sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, em 5 de setembro de 2018. AP Photo/Alfredo Zuniga