Cresce o número de roubos e furtos em trens e estações da Supervia O leilão judicial que vai definir o novo operador do sistema de trens urbanos do Estado do Rio de Janeiro, em substituição à SuperVia, será realizado nesta terça-feira (10). A data foi marcada pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), responsável por conduzir o processo. De acordo com o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade (Setram), o valor estimado da contratação é de R$ 660 milhões. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A empresa vencedora terá permissão inicial de 5 anos para operar o sistema ferroviário, com possibilidade de renovação por igual período. Trem da Supervia Divulgação/Supervia O edital do leilão está disponível desde 7 de janeiro no site da Setram. O critério de escolha do vencedor será o maior desconto oferecido sobre a tarifa de remuneração, fixada inicialmente em R$ 17,60 por carro/quilômetro. Vence a proposta que apresentar o maior percentual de deságio. O leilão será realizado no âmbito do processo de recuperação judicial da Supervia. Após a assinatura do novo contrato, está prevista uma fase de operação assistida, com duração de 90 dias, período em que a atual concessionária e o novo operador atuarão de forma conjunta. Mudança no modelo Pelo modelo definido, a remuneração do operador passará a ser feita por quilômetro rodado, e não mais pela quantidade de passageiros transportados. Segundo o governo, a mudança busca dar maior previsibilidade ao controle das tarifas e reduzir pedidos de reequilíbrio contratual motivados por queda de demanda. O contrato também prevê índices de desempenho que deverão ser cumpridos para garantir a qualidade do serviço. Cemitério de trens da Supervia Reprodução/TV Globo Para tornar o certame mais atrativo, foi criada a Unidade Produtiva Isolada Ferroviária (UPI Ferroviária), que permite ao novo operador assumir a gestão do sistema sem herdar as dívidas e os passivos judiciais da SuperVia. Também foi instituído um fundo, a ser gerido pelo administrador judicial, com o objetivo de preservar a atividade econômica e evitar a interrupção do serviço durante a transição. A definição sobre a manutenção dos postos de trabalho caberá à nova operadora. Durante o período de transição, o governo estadual afirma ter investido R$ 160 milhões no sistema ferroviário, com ações como a substituição de cabos para reduzir furtos e iniciativas para ampliar a oferta de viagens. A malha ferroviária do estado tem 270 quilômetros de extensão, cinco ramais e 104 estações, atendendo 12 municípios da Região Metropolitana. Atualmente, cerca de 300 mil passageiros utilizam os trens diariamente. O leilão estava inicialmente previsto para o dia 27 de janeiro, mas foi adiado após ajustes no edital, que passou a ser divulgado pela Justiça. Superlotação e sucateamento A superlotação é uma das principais queixas dos usuários do sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Passageiros relatam viagens em condições precárias, especialmente fora de períodos de operação especial. “Quando tem jogo funciona que é uma beleza. Agora, quando não tem... a gente passa muito sufoco aqui”, afirmou uma usuária. Outro passageiro diz que a situação se repete há anos e varia de acordo com o dia e o horário. LEIA TAMBÉM: Roubos, tráfico e sensação de abandono nas estações são desafios para nova operadora dos trens do RJ Muros abertos e falta de fiscalização: vistoria encontra 16 estações da SuperVia com falhas no controle de acesso Relatório aponta abandono, criminalidade e favelização nas estações da Supervia Relatório aponta 17 estações sem acessibilidade, 11 sem segurança e 13 sem banheiros Problemas de manutenção também são visíveis em diversos ramais e estações. Banheiros em condições precárias, escadas rolantes quebradas e dificuldades de acessibilidade fazem parte da rotina de quem depende do transporte. “A gente quer reclamar, mas parece que a nossa voz não sai”, diz Ana, cuidadora de idosos, que relatou dificuldades para subir escadas por causa de problemas de saúde. O valor da passagem, atualmente em R$ 7,60 — ou R$ 5 com a tarifa social — também é alvo de críticas. “Pelo serviço que eles oferecem tá caro”, afirma o militar Jeferson Cabral de Santana. Concessão desde 1998 A concessão da SuperVia teve início em 1998. Ao longo dos anos, a empresa acumulou problemas financeiros e operacionais. Em 2023, a concessionária comunicou oficialmente ao governo estadual que não tinha mais condições de manter a operação, citando prejuízos causados pela pandemia, furtos de cabos e o congelamento da tarifa. Um acordo judicial prorrogou a atuação da SuperVia até março de 2026, prazo em que o novo operador definido pelo leilão judicial deverá assumir integralmente o sistema ferroviário do estado.
Leilão para escolher substituto da Supervia na operação dos trens do RJ será realizado nesta terça
Guia Modelo Escrito em 10/02/2026
Cresce o número de roubos e furtos em trens e estações da Supervia O leilão judicial que vai definir o novo operador do sistema de trens urbanos do Estado do Rio de Janeiro, em substituição à SuperVia, será realizado nesta terça-feira (10). A data foi marcada pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), responsável por conduzir o processo. De acordo com o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade (Setram), o valor estimado da contratação é de R$ 660 milhões. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A empresa vencedora terá permissão inicial de 5 anos para operar o sistema ferroviário, com possibilidade de renovação por igual período. Trem da Supervia Divulgação/Supervia O edital do leilão está disponível desde 7 de janeiro no site da Setram. O critério de escolha do vencedor será o maior desconto oferecido sobre a tarifa de remuneração, fixada inicialmente em R$ 17,60 por carro/quilômetro. Vence a proposta que apresentar o maior percentual de deságio. O leilão será realizado no âmbito do processo de recuperação judicial da Supervia. Após a assinatura do novo contrato, está prevista uma fase de operação assistida, com duração de 90 dias, período em que a atual concessionária e o novo operador atuarão de forma conjunta. Mudança no modelo Pelo modelo definido, a remuneração do operador passará a ser feita por quilômetro rodado, e não mais pela quantidade de passageiros transportados. Segundo o governo, a mudança busca dar maior previsibilidade ao controle das tarifas e reduzir pedidos de reequilíbrio contratual motivados por queda de demanda. O contrato também prevê índices de desempenho que deverão ser cumpridos para garantir a qualidade do serviço. Cemitério de trens da Supervia Reprodução/TV Globo Para tornar o certame mais atrativo, foi criada a Unidade Produtiva Isolada Ferroviária (UPI Ferroviária), que permite ao novo operador assumir a gestão do sistema sem herdar as dívidas e os passivos judiciais da SuperVia. Também foi instituído um fundo, a ser gerido pelo administrador judicial, com o objetivo de preservar a atividade econômica e evitar a interrupção do serviço durante a transição. A definição sobre a manutenção dos postos de trabalho caberá à nova operadora. Durante o período de transição, o governo estadual afirma ter investido R$ 160 milhões no sistema ferroviário, com ações como a substituição de cabos para reduzir furtos e iniciativas para ampliar a oferta de viagens. A malha ferroviária do estado tem 270 quilômetros de extensão, cinco ramais e 104 estações, atendendo 12 municípios da Região Metropolitana. Atualmente, cerca de 300 mil passageiros utilizam os trens diariamente. O leilão estava inicialmente previsto para o dia 27 de janeiro, mas foi adiado após ajustes no edital, que passou a ser divulgado pela Justiça. Superlotação e sucateamento A superlotação é uma das principais queixas dos usuários do sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Passageiros relatam viagens em condições precárias, especialmente fora de períodos de operação especial. “Quando tem jogo funciona que é uma beleza. Agora, quando não tem... a gente passa muito sufoco aqui”, afirmou uma usuária. Outro passageiro diz que a situação se repete há anos e varia de acordo com o dia e o horário. LEIA TAMBÉM: Roubos, tráfico e sensação de abandono nas estações são desafios para nova operadora dos trens do RJ Muros abertos e falta de fiscalização: vistoria encontra 16 estações da SuperVia com falhas no controle de acesso Relatório aponta abandono, criminalidade e favelização nas estações da Supervia Relatório aponta 17 estações sem acessibilidade, 11 sem segurança e 13 sem banheiros Problemas de manutenção também são visíveis em diversos ramais e estações. Banheiros em condições precárias, escadas rolantes quebradas e dificuldades de acessibilidade fazem parte da rotina de quem depende do transporte. “A gente quer reclamar, mas parece que a nossa voz não sai”, diz Ana, cuidadora de idosos, que relatou dificuldades para subir escadas por causa de problemas de saúde. O valor da passagem, atualmente em R$ 7,60 — ou R$ 5 com a tarifa social — também é alvo de críticas. “Pelo serviço que eles oferecem tá caro”, afirma o militar Jeferson Cabral de Santana. Concessão desde 1998 A concessão da SuperVia teve início em 1998. Ao longo dos anos, a empresa acumulou problemas financeiros e operacionais. Em 2023, a concessionária comunicou oficialmente ao governo estadual que não tinha mais condições de manter a operação, citando prejuízos causados pela pandemia, furtos de cabos e o congelamento da tarifa. Um acordo judicial prorrogou a atuação da SuperVia até março de 2026, prazo em que o novo operador definido pelo leilão judicial deverá assumir integralmente o sistema ferroviário do estado.

