Preso por matar Ruy Ferraz foi morar a poucos metros do delegado um ano antes do crime A Polícia Civil de São Paulo descobriu que um dos suspeitos de participar do assassinato do delegado aposentado e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, mudou‑se para uma casa a poucos metros da residência da vítima cerca de um ano antes do crime. A informação foi considerada pelos investigadores uma das principais evidências de que o ataque foi longamente planejado pela facção criminosa PCC, da qual o trio de presos faz parte. Segundo a investigação, a carteira de habilitação de Fernando Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca, e apontado como um dos líderes do plano, foi expedida em setembro de 2024. O documento trazia como novo endereço uma rua tranquila de São Caetano do Sul — há poucos metros de onde morava o delegado Ruy Ferraz. “Eles se aproximam, moram perto, frequentam lugares perto e passam despercebidos”, afirmou Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa – DHPP. Exatamente um ano depois da atualização do endereço, o delegado aposentado foi morto em uma emboscada. Ruy Ferraz, de 69 anos, foi executado com tiros de fuzil em julho de 2025, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Ele estava jurado de morte pela facção desde 2005 — ano em que participou de operações que prenderam chefes do grupo criminoso. Trio preso Além de Fernando, a polícia prendeu na semana passada: Manuel Ribeiro Teixeira, irmão de Fernando, conhecido como Manuelzinho. Ele acumula nove condenações que somam 51 anos de prisão e ficou 13 anos detido antes de ser solto em 2023. Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote, criminoso desde 1994, condenado por tráfico, sequestros e roubos. Estava em regime aberto desde 2014. Os três já haviam sido presos por equipes comandadas pelo delegado Ruy Ferraz — motivo pelo qual, segundo a polícia, alimentaram ressentimento e desejo de vingança. Investigação A polícia conseguiu identificar os suspeitos depois de encontrar, em um Renegade carbonizado, as digitais de Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, preso três semanas após o crime. O veículo havia sido furtado em março e, dias antes da execução, passou a 200 metros da casa de Fernando “Careca” em Jundiaí. Uma denúncia anônima também indicou que Fernando e Manuel estiveram em um quiosque na praia de Mongaguá para planejar o crime. Mascherano confirmou em depoimento que participou de encontros no local. A defesa de Manuel disse que só vai se manifestar após acesso aos autos. As defesas de Fernando e Serapião não foram encontradas, e Felipe Avelino não respondeu aos contatos. A polícia acredita que mais pessoas possam ter participado do planejamento. “Depois que um criminoso jura uma autoridade de morte, ele nunca esquece”, afirma Osvaldo Nico, secretário de Segurança Pública - SP. Ruy Ferraz Fontes Reprodução/TV Globo Polícia busca quarto suspeito Além dos três presos nesta semana, a polícia acredita que um quarto integrante do PCC participou da organização do crime: Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal. Chacal tem 54 anos e passou 35 deles preso. Ele estava no complexo do Carandiru quando houve o massacre de 1992. Sua ficha criminal inclui uma série de tentativas de fuga e organização de rebeliões em presídios. Ele está fora da cadeia desde 2024. Segundo os investigadores, Chacal é um dos responsáveis pelo planejamento da execução de Ruy Ferraz Fontes. A última informação da polícia é de que ele está na Bolívia. Chacal foi um dos chefes do PCC transferidos para presídios federais em 2019, a mando de Ruy Ferraz. Ele faz parte do "Sintonia Restrita", grupo da facção responsável pelo monitoramento e assassinato de autoridades. Em setembro de 2025, logo depois do crime, o Fantástico mostrou, com exclusividade, um documento produzido pelo Ministério Público de São Paulo com ordens interceptadas do comando do PCC. A advogada de Manoel Teixeira disse por telefone que só vai se manifestar após ter acesso ao processo. A reportagem não recebeu resposta da defesa de Felipe Avelino e não conseguiu localizar os advogados de Fernando Teixeira e Márcio Serapião. Felipe é uma das oito pessoas presas na primeira fase da investigação que já foram denunciadas pelo crime. A polícia ainda tenta prender Chacal e outro homem que não teve a identidade revelada e também faria parte do grupo responsável pelo planejamento da emboscada. As prisões de Fernando, Manoel e Márcio, na última terça-feira (13), podem ainda levar a outros nomes. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Exclusivo: informações que levaram à prisão de três suspeitos de planejar o assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
Preso por matar Ruy Ferraz foi morar a poucos metros do delegado um ano antes do crime, diz polícia
Guia Modelo Escrito em 22/01/2026
Preso por matar Ruy Ferraz foi morar a poucos metros do delegado um ano antes do crime A Polícia Civil de São Paulo descobriu que um dos suspeitos de participar do assassinato do delegado aposentado e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, mudou‑se para uma casa a poucos metros da residência da vítima cerca de um ano antes do crime. A informação foi considerada pelos investigadores uma das principais evidências de que o ataque foi longamente planejado pela facção criminosa PCC, da qual o trio de presos faz parte. Segundo a investigação, a carteira de habilitação de Fernando Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca, e apontado como um dos líderes do plano, foi expedida em setembro de 2024. O documento trazia como novo endereço uma rua tranquila de São Caetano do Sul — há poucos metros de onde morava o delegado Ruy Ferraz. “Eles se aproximam, moram perto, frequentam lugares perto e passam despercebidos”, afirmou Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa – DHPP. Exatamente um ano depois da atualização do endereço, o delegado aposentado foi morto em uma emboscada. Ruy Ferraz, de 69 anos, foi executado com tiros de fuzil em julho de 2025, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Ele estava jurado de morte pela facção desde 2005 — ano em que participou de operações que prenderam chefes do grupo criminoso. Trio preso Além de Fernando, a polícia prendeu na semana passada: Manuel Ribeiro Teixeira, irmão de Fernando, conhecido como Manuelzinho. Ele acumula nove condenações que somam 51 anos de prisão e ficou 13 anos detido antes de ser solto em 2023. Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote, criminoso desde 1994, condenado por tráfico, sequestros e roubos. Estava em regime aberto desde 2014. Os três já haviam sido presos por equipes comandadas pelo delegado Ruy Ferraz — motivo pelo qual, segundo a polícia, alimentaram ressentimento e desejo de vingança. Investigação A polícia conseguiu identificar os suspeitos depois de encontrar, em um Renegade carbonizado, as digitais de Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, preso três semanas após o crime. O veículo havia sido furtado em março e, dias antes da execução, passou a 200 metros da casa de Fernando “Careca” em Jundiaí. Uma denúncia anônima também indicou que Fernando e Manuel estiveram em um quiosque na praia de Mongaguá para planejar o crime. Mascherano confirmou em depoimento que participou de encontros no local. A defesa de Manuel disse que só vai se manifestar após acesso aos autos. As defesas de Fernando e Serapião não foram encontradas, e Felipe Avelino não respondeu aos contatos. A polícia acredita que mais pessoas possam ter participado do planejamento. “Depois que um criminoso jura uma autoridade de morte, ele nunca esquece”, afirma Osvaldo Nico, secretário de Segurança Pública - SP. Ruy Ferraz Fontes Reprodução/TV Globo Polícia busca quarto suspeito Além dos três presos nesta semana, a polícia acredita que um quarto integrante do PCC participou da organização do crime: Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal. Chacal tem 54 anos e passou 35 deles preso. Ele estava no complexo do Carandiru quando houve o massacre de 1992. Sua ficha criminal inclui uma série de tentativas de fuga e organização de rebeliões em presídios. Ele está fora da cadeia desde 2024. Segundo os investigadores, Chacal é um dos responsáveis pelo planejamento da execução de Ruy Ferraz Fontes. A última informação da polícia é de que ele está na Bolívia. Chacal foi um dos chefes do PCC transferidos para presídios federais em 2019, a mando de Ruy Ferraz. Ele faz parte do "Sintonia Restrita", grupo da facção responsável pelo monitoramento e assassinato de autoridades. Em setembro de 2025, logo depois do crime, o Fantástico mostrou, com exclusividade, um documento produzido pelo Ministério Público de São Paulo com ordens interceptadas do comando do PCC. A advogada de Manoel Teixeira disse por telefone que só vai se manifestar após ter acesso ao processo. A reportagem não recebeu resposta da defesa de Felipe Avelino e não conseguiu localizar os advogados de Fernando Teixeira e Márcio Serapião. Felipe é uma das oito pessoas presas na primeira fase da investigação que já foram denunciadas pelo crime. A polícia ainda tenta prender Chacal e outro homem que não teve a identidade revelada e também faria parte do grupo responsável pelo planejamento da emboscada. As prisões de Fernando, Manoel e Márcio, na última terça-feira (13), podem ainda levar a outros nomes. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Exclusivo: informações que levaram à prisão de três suspeitos de planejar o assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

