Morte de professora após uso de piscina em academia de SP acende alerta sobre riscos de água mal tratada; veja sinais de perigo

Guia Modelo Escrito em 10/02/2026


Saiba como cuidar corretamente de uma piscina sem comprometer a saúde dos nadadores A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após o uso da piscina da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo, acendeu o alerta sobre os perigos do mergulho em locais com água não tratada corretamente. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, seja em academias, condomínios ou clubes coletivos, o tratamento adequado da água — com produtos corretos e nas dosagens certas — é fundamental para evitar riscos à saúde de alunos, condôminos e sócios. Veja, abaixo, os principais sinais de que a piscina pode não estar própria para uso e os cuidados necessários, de acordo com especialistas: 🚨 Cheiro forte de cloro e água turva são sinais de alerta De acordo com os especialistas, o primeiro sinal de que a água pode representar perigo para a saúde é o cheiro muito intenso de cloro e o aspecto turvo. Se você sentir um cheiro muito intenso de cloro, saia da água. Ela não pode estar cheirando intensamente a cloro. O cheiro de cloro tem que ser superficial, porque a quantidade de cloro necessário para desinfectar a água não é tão elevada assim. Segundo ele, no caso do acidente na academia, "a princípio parece ter sido um excesso de cloro. Ou colocaram excesso do material para o tratamento — excesso de material para gerar o cloro, ou baixaram muito o PH e o cloro acabou". A água esverdeada, amarelada, leitosa ou com aparência turva também pode indicar desequilíbrio químico ou proliferação de algas. LEIA MAIS: Prefeitura de SP inicia processo de cassação de licença de academia O que se sabe sobre caso de aluna morta após aula de natação VÍDEO: câmera mostra quando mulher passa mal em aula de natação ⚗️ Desequilíbrio químico pode liberar gás tóxico na superfície Piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste, onde professora fez aula de natação e teve problemas respiratórios que a levaram à morte. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Bazito explica que existe um equilíbrio no cloro dissolvido na água usada por humanos. Esse equilíbrio ocorre na forma de ácido clorídrico e ácido hipocloroso, dois ácidos derivados do cloro dissolvidos na água. “Se você desloca isso que a gente chama de equilíbrio pra gerar cloro, esse cloro sai da água e vai para o ar na superfície da piscina. E, como essa substância é mais densa que o ar, se acumula nessa superfície. E, aí, o nadador ou pessoa que está fazendo natação, vai respirar esse cloro no ar, às vezes sem perceber”, diz. Segundo ele, a agitação da água pode agravar o problema: “Quando você agita a água com esse desequilíbrio dos ácidos, facilita a liberação do gás e pode acumular uma quantidade de cloro muito tóxica na superfície [das piscinas]. Isso causa diversos sinais, como cheiro, ardência nos olhos, garganta e nariz, tosse e dificuldade de respiração”, alerta o professor da USP. 🫁 Intoxicação pode causar danos graves aos pulmões O especialista afirma que, diante desses sinais, é necessário sair imediatamente da água. “Isso é reflexo da concentração de cloro excessiva. Nesse caso, é preciso sair o quanto antes e ir para um ambiente aberto, para conseguir respirar ar puro ou acionar o serviço de emergência, porque a intoxicação pode ter sido grave e o pulmão fica danificado, assim como outros órgãos, mas, principalmente, os pulmões. E por isso é preciso receber atendimento médico com urgência”, explica. Bazito também detalha como o gás age no organismo: “O cloro gasoso, quando respirado, reage com a água que a gente tem naturalmente na superfície das mucosas — inclusive nos pulmões etc — e vira ácido clorídrico e ácido hipocloroso. O ácido clorídrico é um ácido e o ácido hipocloroso é aquele que está presente na água sanitária. Então, é como se você tivesse água sanitária nos seus pulmões. Isso causa um estrago bastante grande nas mucosas”, explica. Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em SP 🧪 pH e cloro precisam estar equilibrados O tratador de piscinas da Prefeitura de São Paulo Alex Lindemberg, que trabalha no clube esportivo municipal do Ipiranga, na Zona Sul da capital, afirma que a quantidade exata de produto é o principal fator de segurança para usuários e profissionais. “Quando a água está escura ou turva, tem que saber manipular os parâmetros. Se o ph da água estiver alto, não adianta jogar produto porque não vai decantar e fazer o funcionamento que tem que ter do produto", afirma. De acordo com ele, primeiro, tem que estabilizar o ph da água. "Quando ele estiver baixo, tem que estabilizar com o cloro. E, se estiver muito alto, tem que jogar redutor, deixar abaixar até o mínimo possível. Para isso, precisamos de 24 horas de decantação para depois iniciar o processo de limpeza”, diz. Morte na piscina de academia na zona leste ⚠️ Produtos químicos não podem ser misturados Lindemberg faz um alerta sobre o manuseio incorreto dos produtos químicos. “O redutor de ph e o cloro são produtos muito fortes. Nunca pode misturar os dois. O redutor, por exemplo, se joga no chão, começa a corroer. Você vê a espuma. Por isso, não pode misturar com o cloro. Se misturar, até a gente passa mal”, diz. Ele também destaca o risco no armazenamento inadequado. “Tem produto que pode até pegar fogo, tem que ser bem armazenado e não é qualquer lugar para guardar o material. Por isso, precisa de um profissional qualificado para fazer as dosagens, saber as reações químicas ruins para o corpo e entender a função de cada produto”, completa. Manobrista fazia a manutenção de piscina onde professora morreu em SP, diz polícia 🏊 Outros sinais de que a piscina pode não estar segura Os especialistas também orientam que usuários fiquem atentos a: Ardência nos olhos ou coceira na pele Espuma na superfície Azulejos escorregadios ou com limo Presença excessiva de sujeira e insetos Segundo eles, esses indícios podem apontar desequilíbrio químico ou falhas na manutenção. A recomendação é clara: ao perceber cheiro forte, irritação ou aspecto alterado da água, a orientação é sair imediatamente da piscina e procurar ajuda médica, se houver sintomas. Especialistas alertam sobre cuidados com uso de produtos químicos