Imagem de arquivo mostra copo com bebida alcoólica Reprodução/EPTV Adultos entre 35 e 59 anos concentraram a maior parte dos atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo de álcool na região de Campinas (SP) em 2025. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), quase 1,7 mil atendimentos foram registrados nessa faixa etária. O grupo de 40 a 44 anos lidera o ranking, com 390 atendimentos, seguido por pessoas de 50 a 54 anos (356), 45 a 49 anos (348), 35 a 39 anos (323) e 55 a 59 anos (236). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Além da concentração entre adultos de meia-idade, os dados mostram que jovens e idosos foram os grupos que registraram os maiores aumentos proporcionais nos atendimentos entre 2024 e 2025. Entre pessoas de 20 a 24 anos, os registros passaram de 86 para 199, alta de 131%. Já na faixa de 70 a 74 anos, os atendimentos saltaram de 31 para 80, crescimento de 158%. No total, os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool cresceram 50,5% na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, passando de 1.966 em 2024 para 2.959 em 2025. Apenas entre janeiro e março de 2026, já foram contabilizados 724 atendimentos. Jovens começaram a beber ainda na adolescência Os números refletem histórias marcadas pelo início precoce do consumo de álcool. Um paciente, que preferiu não se identificar, conta que começou a beber aos 12 anos, em busca de aceitação entre os amigos. "O primeiro contato que eu tive com o álcool foi com 12 anos de idade. Mas, para ser aceito entre grupo de amigos, eu fui ficando frequente. Cheguei a um ponto em que já não era mais diversão. O álcool para mim virou uma necessidade." Segundo ele, o alcoolismo provocou mudanças no comportamento, conflitos familiares e problemas de saúde que permanecem até hoje. "As primeiras pessoas que sofreram foram meus familiares. Hoje tenho hipertensão, gordura no fígado e pedra na vesícula por conta do álcool. O alcoolismo é uma doença." Outro homem, que também não quis revelar a identidade, relata que começou a consumir álcool aos 16 anos. Introvertido, acreditava que a bebida o ajudaria a socializar. "Eu sempre fui uma criança muito introvertida. Via as pessoas que bebiam mais extrovertidas e fui percebendo que deixei de ter noção sobre mim mesmo." Com o tempo, segundo ele, o consumo evoluiu para o uso de outras drogas. "Comecei a usar cocaína e drogas sintéticas. Depois percebi que estava fora de controle e tomei a decisão de iniciar o tratamento e passar pelo processo de recuperação." LEIA TAMBÉM: Campinas supera 41 mil atendimentos contra abuso de álcool e drogas em 5 meses: 'Decidi que não queria morrer' Faixas etárias Embora a maior concentração de atendimentos esteja entre adultos de meia-idade, praticamente todas as faixas etárias registraram crescimento entre 2024 e 2025. Houve alta de 61% entre adolescentes de 15 a 19 anos e de 67% entre pessoas de 65 a 69 anos. Além disso, os dados do primeiro trimestre de 2026 indicam uma leve mudança no perfil dos atendimentos. A faixa de 45 a 49 anos aparece na liderança, com 108 registros, seguida por pessoas de 35 a 39 anos (86), 50 a 54 anos (82) e 40 a 44 anos (81). Pela primeira vez, adultos de 30 a 34 anos figuram entre os grupos com maior número de atendimentos, empatados com a faixa de 55 a 59 anos, ambas com 66 casos. Conscientização Para o psicólogo Éverson Guimarães, o crescimento dos atendimentos reforça a necessidade de tratar o alcoolismo como um problema de saúde pública e investir em ações de prevenção. "Não tratar o álcool como algo inofensivo, como algo que deve pertencer ao dia a dia das pessoas. É preciso conscientizar e divulgar os prejuízos causados pelo consumo, principalmente entre os jovens." Segundo o especialista, o impacto da dependência vai muito além da saúde física. "Temos pessoas com vínculos familiares totalmente fragilizados, que perderam contato com filhos, precisaram se afastar do cônjuge e tiveram a própria saúde comprometida. Essa conscientização social precisa ser muito mais ampla." Série histórica Os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool na região de Campinas tiveram a seguinte evolução: 2021: 4.073 2022: 1.884 2023: 1.527 2024: 1.966 2025: 2.959 2026 (janeiro a março): 724 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
Adultos de 35 a 59 anos concentram atendimentos por alcoolismo na região de Campinas; casos crescem 50,5%
Guia Modelo Escrito em 22/07/2026
Imagem de arquivo mostra copo com bebida alcoólica Reprodução/EPTV Adultos entre 35 e 59 anos concentraram a maior parte dos atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo de álcool na região de Campinas (SP) em 2025. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), quase 1,7 mil atendimentos foram registrados nessa faixa etária. O grupo de 40 a 44 anos lidera o ranking, com 390 atendimentos, seguido por pessoas de 50 a 54 anos (356), 45 a 49 anos (348), 35 a 39 anos (323) e 55 a 59 anos (236). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Além da concentração entre adultos de meia-idade, os dados mostram que jovens e idosos foram os grupos que registraram os maiores aumentos proporcionais nos atendimentos entre 2024 e 2025. Entre pessoas de 20 a 24 anos, os registros passaram de 86 para 199, alta de 131%. Já na faixa de 70 a 74 anos, os atendimentos saltaram de 31 para 80, crescimento de 158%. No total, os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool cresceram 50,5% na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, passando de 1.966 em 2024 para 2.959 em 2025. Apenas entre janeiro e março de 2026, já foram contabilizados 724 atendimentos. Jovens começaram a beber ainda na adolescência Os números refletem histórias marcadas pelo início precoce do consumo de álcool. Um paciente, que preferiu não se identificar, conta que começou a beber aos 12 anos, em busca de aceitação entre os amigos. "O primeiro contato que eu tive com o álcool foi com 12 anos de idade. Mas, para ser aceito entre grupo de amigos, eu fui ficando frequente. Cheguei a um ponto em que já não era mais diversão. O álcool para mim virou uma necessidade." Segundo ele, o alcoolismo provocou mudanças no comportamento, conflitos familiares e problemas de saúde que permanecem até hoje. "As primeiras pessoas que sofreram foram meus familiares. Hoje tenho hipertensão, gordura no fígado e pedra na vesícula por conta do álcool. O alcoolismo é uma doença." Outro homem, que também não quis revelar a identidade, relata que começou a consumir álcool aos 16 anos. Introvertido, acreditava que a bebida o ajudaria a socializar. "Eu sempre fui uma criança muito introvertida. Via as pessoas que bebiam mais extrovertidas e fui percebendo que deixei de ter noção sobre mim mesmo." Com o tempo, segundo ele, o consumo evoluiu para o uso de outras drogas. "Comecei a usar cocaína e drogas sintéticas. Depois percebi que estava fora de controle e tomei a decisão de iniciar o tratamento e passar pelo processo de recuperação." LEIA TAMBÉM: Campinas supera 41 mil atendimentos contra abuso de álcool e drogas em 5 meses: 'Decidi que não queria morrer' Faixas etárias Embora a maior concentração de atendimentos esteja entre adultos de meia-idade, praticamente todas as faixas etárias registraram crescimento entre 2024 e 2025. Houve alta de 61% entre adolescentes de 15 a 19 anos e de 67% entre pessoas de 65 a 69 anos. Além disso, os dados do primeiro trimestre de 2026 indicam uma leve mudança no perfil dos atendimentos. A faixa de 45 a 49 anos aparece na liderança, com 108 registros, seguida por pessoas de 35 a 39 anos (86), 50 a 54 anos (82) e 40 a 44 anos (81). Pela primeira vez, adultos de 30 a 34 anos figuram entre os grupos com maior número de atendimentos, empatados com a faixa de 55 a 59 anos, ambas com 66 casos. Conscientização Para o psicólogo Éverson Guimarães, o crescimento dos atendimentos reforça a necessidade de tratar o alcoolismo como um problema de saúde pública e investir em ações de prevenção. "Não tratar o álcool como algo inofensivo, como algo que deve pertencer ao dia a dia das pessoas. É preciso conscientizar e divulgar os prejuízos causados pelo consumo, principalmente entre os jovens." Segundo o especialista, o impacto da dependência vai muito além da saúde física. "Temos pessoas com vínculos familiares totalmente fragilizados, que perderam contato com filhos, precisaram se afastar do cônjuge e tiveram a própria saúde comprometida. Essa conscientização social precisa ser muito mais ampla." Série histórica Os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool na região de Campinas tiveram a seguinte evolução: 2021: 4.073 2022: 1.884 2023: 1.527 2024: 1.966 2025: 2.959 2026 (janeiro a março): 724 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

