PF indicia Rodrigo Bacellar e mais 4 por vazamento de dados para o Comando Vermelho

Guia Modelo Escrito em 28/02/2026


Polícia Federal indicia presidente licenciado da Alerj, Rodrigo Bacellar A Polícia Federal indiciou o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), e outras quatro pessoas por vazamento de informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Bacellar foi apontado pela PF como a liderança do núcleo político de uma organização criminosa. A investigação reuniu novas provas do vazamento de uma operação da PF contra o Comando Vermelho realizada em setembro de 2025. O alvo da ação era o ex-deputado TH Joias, eleito pelo MDB. Segundo a polícia, ele foi alertado por Bacellar na véspera da ação. TH Joias foi preso junto com um dos chefes da facção. Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, relatou aos policiais federais que perguntou ao ex-deputado sobre a operação: “Pô, mano, você já sabia da operação?” De acordo com o relato do chefe da facção, o ex-parlamentar respondeu: “Pô, já sabia, pô, o Bacellar me avisou”. Rodrigo Bacellar chegou a ser preso em dezembro, mas foi solto menos de uma semana depois por decisão de parlamentares da Alerj. Atualmente, ele está licenciado do cargo de presidente da assembleia. Os investigadores apontam a existência de um "verdadeiro estado paralelo" capitaneado por líderes da política fluminense que vazam informações e inviabilizam o sucesso de operações contra facções. No relatório, a PF afirma: "Todos esses elementos descortinam a existência de um verdadeiro estado paralelo, capitaneado pelos capos da política fluminense que nos bastidores vazam informações que inviabilizam o sucesso de operações policiais relevantes contra facções criminosas violentas, a exemplo do Comando Vermelho." Segundo a Polícia Federal, a principal força de Rodrigo Bacellar no esquema era a capacidade de interlocução e persuasão junto a integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado do Rio. No relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aparece o nome do desembargador federal Macario Neto. Ele não foi indiciado porque a Lei Orgânica da Magistratura estabelece regras específicas para a responsabilização de magistrados. Os agentes afirmam que Macário tentou parar as investigações, sem sucesso. A investigação obteve imagens que mostram o desembargador na recepção do prédio do escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer, em São Paulo, no dia 10 de dezembro. Segundo a polícia, ele esteve no local por cerca de uma hora. De acordo com a investigação, Macário tinha o objetivo de encontrar Temer na esperança de que o ex-presidente acionasse o ministro do STF, Alexandre de Moraes, para frear o processo. PF indicia Rodrigo Bacellar por vazamento de dados para o Comando Vermelho Reprodução/TV Globo Michel Temer afirmou que recebeu o magistrado, mas não interferiu no caso, que achou que Bacellar viria pedir apoio para se candidatar ao STJ. O ministro Alexandre de Moraes mandou prender o desembargador Macario Neto no dia 16 de dezembro, menos de uma semana após o encontro em São Paulo. Ao todo, cinco pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal, incluindo Rodrigo Bacellar e o ex-deputado TH Joias. Os indiciados respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A defesa de Rodrigo Bacellar disse que não existem provas sobre práticas ilícitas do deputado, apenas ilações, e que o indiciamento é descabido. O advogado do ex-deputado TH Joias nega a participação dele em atividades criminosas e diz que ele não teve acesso às informações. LEIA MAIS 'Bacellar me avisou': PF diz que TH Joias confirmou para traficante ter sido avisado sobre operação contra CV