Amazonas já se prepara para possível seca severa em 2026 e comerciantes antecipam estoques para evitar prejuízos

Guia Modelo Escrito em 20/05/2026


Rio Negro, em Manaus Rede Amazônica Mesmo antes do pico da cheia dos rios no Amazonas, previsto para julho, o alerta para uma possível seca severa no segundo semestre já mobiliza órgãos públicos e o setor produtivo do estado. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB) é de que a estiagem deste ano possa ser intensa e prolongada, afetando principalmente a navegação e o abastecimento de mercadorias em Manaus e no interior. A preocupação levou empresários a anteciparem a compra e o armazenamento de produtos para evitar problemas logísticos semelhantes aos registrados nos últimos anos. Segundo o secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, o principal impacto esperado é no transporte fluvial, considerado essencial para o abastecimento do estado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Nossa maior preocupação inicia com o comprometimento da navegação, com impactos no âmbito econômico e social”, afirmou. Vídeos em alta no g1 A preocupação também já chegou à Associação Comercial do Amazonas (ACA). O presidente da entidade, Bruno Pinheiro, informou que pediu ao Governo do Amazonas a adoção da mesma estratégia aplicada em 2024 para reduzir os impactos da estiagem sobre os comerciantes. De acordo com ele, a proposta é permitir o parcelamento do ICMS de produtos comprados antecipadamente para formação de estoque. “Quando você antecipa sua compra, acaba pagando impostos adiantados. Pedimos que seja mantido o mesmo esquema de 2024, com o ICMS parcelado”, disse. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM) também defende planejamento antecipado e medidas fiscais durante o período de seca. Segundo o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, a antecipação de compras pode afetar o fluxo de caixa das empresas. “Você paga por um produto que só vai vender depois, e isso pode gerar uma descapitalização. Se isso ocorrer, pode impactar na geração de empregos no estado”, afirmou. Tempo de transporte pode quadruplicar De acordo com a Fecomércio-AM, em períodos de rios com nível adequado para navegação, os navios que saem do Sudeste chegam a Manaus em até 35 dias. Já em períodos de seca severa, quando grandes embarcações não conseguem navegar pelos rios amazônicos, o tempo de transporte pode chegar a 150 dias. Orla da Manaus Moderna. Reprodução/Rede Amazônica Nesses casos, as cargas precisam ser desembarcadas no Ceará ou no Pará e, posteriormente, transportadas em balsas menores até Manaus, o que aumenta custos logísticos e gera cobrança extra por contêiner, conhecida como “taxa da água”. Bruno Pinheiro afirmou ainda que existe um acordo junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para evitar cobranças adicionais relacionadas à estiagem. Comércio antecipa estoque para o fim do ano Em uma loja de produtos importados no Centro de Manaus, a estratégia foi antecipar a formação do estoque previsto para 2026. Segundo a administração do estabelecimento, cerca de 70% dos produtos vendidos no período de fim de ano já foram encomendados de fornecedores da Ásia. Parte das mercadorias já chegou à capital amazonense, enquanto outras ainda estão em transporte marítimo. O empresário Erick Bandeira afirmou que, apesar do custo maior para armazenar produtos com antecedência, a medida ajuda a evitar gastos ainda maiores com frete durante a estiagem. “A gente acaba pagando mais caro para armazenar os produtos antecipadamente, mas, por outro lado, evita o aumento do frete no período de estiagem. Independentemente de seca ou não, estaremos com os produtos em casa”, disse. Movimentação no comércio do Centro de Manaus. Rede Amazônica