Rio Negro, em Manaus Rede Amazônica Mesmo antes do pico da cheia dos rios no Amazonas, previsto para julho, o alerta para uma possível seca severa no segundo semestre já mobiliza órgãos públicos e o setor produtivo do estado. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB) é de que a estiagem deste ano possa ser intensa e prolongada, afetando principalmente a navegação e o abastecimento de mercadorias em Manaus e no interior. A preocupação levou empresários a anteciparem a compra e o armazenamento de produtos para evitar problemas logísticos semelhantes aos registrados nos últimos anos. Segundo o secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, o principal impacto esperado é no transporte fluvial, considerado essencial para o abastecimento do estado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Nossa maior preocupação inicia com o comprometimento da navegação, com impactos no âmbito econômico e social”, afirmou. Vídeos em alta no g1 A preocupação também já chegou à Associação Comercial do Amazonas (ACA). O presidente da entidade, Bruno Pinheiro, informou que pediu ao Governo do Amazonas a adoção da mesma estratégia aplicada em 2024 para reduzir os impactos da estiagem sobre os comerciantes. De acordo com ele, a proposta é permitir o parcelamento do ICMS de produtos comprados antecipadamente para formação de estoque. “Quando você antecipa sua compra, acaba pagando impostos adiantados. Pedimos que seja mantido o mesmo esquema de 2024, com o ICMS parcelado”, disse. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM) também defende planejamento antecipado e medidas fiscais durante o período de seca. Segundo o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, a antecipação de compras pode afetar o fluxo de caixa das empresas. “Você paga por um produto que só vai vender depois, e isso pode gerar uma descapitalização. Se isso ocorrer, pode impactar na geração de empregos no estado”, afirmou. Tempo de transporte pode quadruplicar De acordo com a Fecomércio-AM, em períodos de rios com nível adequado para navegação, os navios que saem do Sudeste chegam a Manaus em até 35 dias. Já em períodos de seca severa, quando grandes embarcações não conseguem navegar pelos rios amazônicos, o tempo de transporte pode chegar a 150 dias. Orla da Manaus Moderna. Reprodução/Rede Amazônica Nesses casos, as cargas precisam ser desembarcadas no Ceará ou no Pará e, posteriormente, transportadas em balsas menores até Manaus, o que aumenta custos logísticos e gera cobrança extra por contêiner, conhecida como “taxa da água”. Bruno Pinheiro afirmou ainda que existe um acordo junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para evitar cobranças adicionais relacionadas à estiagem. Comércio antecipa estoque para o fim do ano Em uma loja de produtos importados no Centro de Manaus, a estratégia foi antecipar a formação do estoque previsto para 2026. Segundo a administração do estabelecimento, cerca de 70% dos produtos vendidos no período de fim de ano já foram encomendados de fornecedores da Ásia. Parte das mercadorias já chegou à capital amazonense, enquanto outras ainda estão em transporte marítimo. O empresário Erick Bandeira afirmou que, apesar do custo maior para armazenar produtos com antecedência, a medida ajuda a evitar gastos ainda maiores com frete durante a estiagem. “A gente acaba pagando mais caro para armazenar os produtos antecipadamente, mas, por outro lado, evita o aumento do frete no período de estiagem. Independentemente de seca ou não, estaremos com os produtos em casa”, disse. Movimentação no comércio do Centro de Manaus. Rede Amazônica
Amazonas já se prepara para possível seca severa em 2026 e comerciantes antecipam estoques para evitar prejuízos
Guia Modelo Escrito em 20/05/2026
Rio Negro, em Manaus Rede Amazônica Mesmo antes do pico da cheia dos rios no Amazonas, previsto para julho, o alerta para uma possível seca severa no segundo semestre já mobiliza órgãos públicos e o setor produtivo do estado. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB) é de que a estiagem deste ano possa ser intensa e prolongada, afetando principalmente a navegação e o abastecimento de mercadorias em Manaus e no interior. A preocupação levou empresários a anteciparem a compra e o armazenamento de produtos para evitar problemas logísticos semelhantes aos registrados nos últimos anos. Segundo o secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, o principal impacto esperado é no transporte fluvial, considerado essencial para o abastecimento do estado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Nossa maior preocupação inicia com o comprometimento da navegação, com impactos no âmbito econômico e social”, afirmou. Vídeos em alta no g1 A preocupação também já chegou à Associação Comercial do Amazonas (ACA). O presidente da entidade, Bruno Pinheiro, informou que pediu ao Governo do Amazonas a adoção da mesma estratégia aplicada em 2024 para reduzir os impactos da estiagem sobre os comerciantes. De acordo com ele, a proposta é permitir o parcelamento do ICMS de produtos comprados antecipadamente para formação de estoque. “Quando você antecipa sua compra, acaba pagando impostos adiantados. Pedimos que seja mantido o mesmo esquema de 2024, com o ICMS parcelado”, disse. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM) também defende planejamento antecipado e medidas fiscais durante o período de seca. Segundo o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, a antecipação de compras pode afetar o fluxo de caixa das empresas. “Você paga por um produto que só vai vender depois, e isso pode gerar uma descapitalização. Se isso ocorrer, pode impactar na geração de empregos no estado”, afirmou. Tempo de transporte pode quadruplicar De acordo com a Fecomércio-AM, em períodos de rios com nível adequado para navegação, os navios que saem do Sudeste chegam a Manaus em até 35 dias. Já em períodos de seca severa, quando grandes embarcações não conseguem navegar pelos rios amazônicos, o tempo de transporte pode chegar a 150 dias. Orla da Manaus Moderna. Reprodução/Rede Amazônica Nesses casos, as cargas precisam ser desembarcadas no Ceará ou no Pará e, posteriormente, transportadas em balsas menores até Manaus, o que aumenta custos logísticos e gera cobrança extra por contêiner, conhecida como “taxa da água”. Bruno Pinheiro afirmou ainda que existe um acordo junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para evitar cobranças adicionais relacionadas à estiagem. Comércio antecipa estoque para o fim do ano Em uma loja de produtos importados no Centro de Manaus, a estratégia foi antecipar a formação do estoque previsto para 2026. Segundo a administração do estabelecimento, cerca de 70% dos produtos vendidos no período de fim de ano já foram encomendados de fornecedores da Ásia. Parte das mercadorias já chegou à capital amazonense, enquanto outras ainda estão em transporte marítimo. O empresário Erick Bandeira afirmou que, apesar do custo maior para armazenar produtos com antecedência, a medida ajuda a evitar gastos ainda maiores com frete durante a estiagem. “A gente acaba pagando mais caro para armazenar os produtos antecipadamente, mas, por outro lado, evita o aumento do frete no período de estiagem. Independentemente de seca ou não, estaremos com os produtos em casa”, disse. Movimentação no comércio do Centro de Manaus. Rede Amazônica

