Servidor público preso na véspera do Réveillon por apologia ao nazismo no PR foi condenado pelo mesmo crime um ano antes em outro estado

Guia Modelo Escrito em 02/01/2026


Servidor público de instituto de ensino é preso suspeito de apologia ao nazismo e ameaça O servidor público Phetronio Paulo de Medeiros, que foi preso preventivamente no Paraná na véspera do Réveillon por apologia ao nazismo, já é condenado por ter cometido o mesmo crime anos antes, em outro estado. Atualmente, Phetronio é técnico em contabilidade do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Irati. No entanto, ele é natural do Rio Grande do Norte e morou em outros estados antes de se mudar para o Paraná. Segundo o delegado Rafael Rybandt, responsável pela investigação do caso mais recente, a Polícia Civil paranaense descobriu que o homem possui diversos perfis com variações no nome nas redes sociais, e costumava intensificar as postagens com ameaças e apologia ao nazismo em datas próximas ao Natal e Réveillon. Saiba mais abaixo. ✅ Clique aqui e siga o g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp O g1 apurou que em 2018, quando trabalhava na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o homem fez uma postagem nas redes sociais no dia 24 de dezembro com a suástica usada como símbolo do regime nazista, acompanhada dos dizeres "Merry Christmas" (Feliz Natal, em língua inglesa). Phetronio Paulo de Medeiros é condenado por apologia ao nazismo devido a postagem feita em 2018 Reprodução/Redes Sociais A publicação foi denunciada em abril de 2023, quando Phetronio estava morando no Rio Grande do Sul e trabalhando na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Por isso, o processo tramitou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e, em julho de 2024, o servidor público foi condenado por apologia ao nazismo. Ele foi sentenciado a dois anos e quatro meses de reclusão em regime inicial aberto e ao pagamento de uma multa, mas teve a pena privativa de liberdade substituída por prestação de serviços à comunidade e aumento da multa. Dois meses depois, ele começou a trabalhar no IFPR (em setembro de 2024). Em nota, o IFPR disse que o técnico em contabilidade será afastado imediatamente das funções e que um processo administrativo disciplinar será aberto para a apuração do caso. Veja a nota na íntegra mais abaixo. O g1 questionou se o Instituto Federal do Paraná checou os antecedentes criminais de Phetronio antes de contratá-lo, em 2024, e aguarda resposta. Em dezembro de 2025 o processo do caso da postagem de 2018 tramitou em julgado; ou seja, não pode mais ser contestado. Agora, Phetronio Paulo de Medeiros é alvo de um novo inquérito movido pela Polícia Civil do Paraná devido a novas postagens feitas nas redes sociais. Ao g1 o advogado de defesa do servidor público afirmou que não teve acesso a informações relativas à prisão, e que se manifestaria posteriormente. Leia também: Ordem do STF: Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, é preso no Paraná Veja vídeo: Homem bate a cabeça durante mergulho em piscina, se afoga, e é salvo pela esposa Tragédia: Polícia investiga acidente em que carro capotou e casal foi atropelado após sair do veículo; jovem morreu e marido dela está internado Preso na véspera do Réveillon Phetronio foi preso no final da tarde desta quarta-feira (31) suspeito de apologia ao nazismo, ameaça de atentado e veiculação de símbolos nazistas em diversas redes sociais. Ele foi detido pelo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) no Centro de Curitiba, onde estava em um apartamento alugado para passar a virada de ano. Segundo o delegado Rafael Rybandt, o técnico em contabilidade possui diversos perfis nas redes sociais e, nas postagens, fazia uso da cruz suástica (símbolo do nazismo) acompanhada de expressões de saudação do regime alemão, além de frases de ameaça como: "Vem muita desgraça e morte para todos". Veja na imagem abaixo. Imagem cedida pela Polícia Civil Reprodução/Redes Sociais O delegado Rafael Rybandt explicou ao g1 que solicitou o mandado de prisão preventiva porque as investigações verificaram que o homem costumava intensificar as postagens com ameaças e apologia ao nazismo em datas próximas ao Natal e Réveillon. "Como nessas datas há mais aglomerações de pessoas, muitos ataques de ódio são programados para elas. [...] O fato dele ser agente público vinculado a uma instituição federal de ensino trouxe ainda mais urgência para a resposta policial ao caso. [...] A Polícia Civil do Paraná reforça o compromisso no combate a crimes de ódio e intolerância e solicita a colaboração da população. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (Polícia Civil) e 181 (Disque-Denúncia)", ressalta. Saiba como denunciar crimes no Paraná Quem é Phetronio Paulo de Medeiros Phetronio Paulo de Medeiros tem 40 anos de idade é natural do Rio Grande do Norte. Segundo o perfil dele no site do IFPR, o homem é graduado em Ciências Contábeis e trabalhou como professor na Universidade Federal da Paraíba, onde também assumiu o cargo de técnico em contabilidade. Em 2019 ele se mudou para o Rio Grande do Sul e passou a atuar como técnico em contabilidade na Universidade Federal de Pelotas até 2024, quando se mudou para Irati e assumiu o mesmo cargo no IFPR. Phetronio Paulo de Medeiros tem 40 anos Reprodução/Redes Sociais O que diz o IFPR Veja, abaixo, a nota enviada pelo IFPR ao g1 nesta quinta-feira (1): "O Instituto Federal do Paraná lamenta o episódio da prisão do servidor do Campus Irati do IFPR, Phetronio Paulo de Medeiros, técnico em contabilidade. Informamos que o referido servidor faz parte do quadro do IFPR há apenas 1 ano e quatro meses e que suas condutas, se confirmadas, afrontam diretamente as crenças do Instituto Federal do Paraná enquanto instituição de excelência na formação técnica e tecnológica em nível estadual. Enfatizamos, ainda, que o IFPR não compactua com quaisquer formas de discriminação e que repudia veementemente ações criminosas de apologia ao nazismo, de xenofobia, de misoginia, de homofobia, de racismo ou de preconceito religioso que porventura sejam cometidas por qualquer um de seus servidores. O Reitor do Instituto Federal do Paraná, Professor Adriano Willian da Silva Viana Pereira reforça, ainda, que toda e qualquer atitude criminosa cometida por membros da comunidade acadêmica do IFPR é passível de apuração imediata por parte da instituição. Dessa forma, comunicamos que o servidor em questão será afastado imediatamente de suas funções e que um processo administrativo disciplinar será aberto para a apuração do caso, preservando-se, como garante a Constituição Federal, em seu Art. 5º, Inciso LV, o direito à ampla defesa e ao contraditório." Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul