Em depoimento à Polícia Federal, o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que eventuais problemas na Will Bank poderiam ampliar o prejuízo do BRB, devido à forte exposição do banco público aos ativos da instituição.
Ele deu essa declaração em 30 de dezembro, antes da liquidação do Will Bank, ligada ao Banco Master, que foi liquidado pelo BC em novembro.
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
Desde a liquidação do Master, o Will Bank vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do BC.
🔎 Quando uma instituição está em Raet, o Banco Central assume temporariamente o controle para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Segundo Aquino, havia muitos ativos da Will registrados no balanço do BRB, o que elevava o risco de perdas em caso de deterioração da carteira. Ele destacou que a base de clientes da Will era formada majoritariamente por consumidores das classes C e D, com operações concentradas em cartão de crédito.
A Polícia Federal apura se houve omissão dos gestores do BRB e falhas nos métodos de prudência e governança na aquisição de carteiras que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público.
Segundo a investigação, o Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e, posteriormente, revendido esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões, sem que eles valessem isso.
“Existem muitos ativos da Will dentro do balanço do BRB. Se não for possível resolver dentro do RAET, o prejuízo do BRB será maior”, afirmou.
O diretor do BC explicou que, nesse perfil de clientela, a interrupção do uso do cartão tende a aumentar a inadimplência. “Quando a dona Maria não conseguir comprar mais com cartão de crédito, a probabilidade, com base na nossa experiência, é que ela não pague o boleto do cartão. Vai usar outro cartão”, disse.
Aquino citou que a carteira envolvia entre 7 milhões e 11 milhões de clientes e afirmou que a avaliação apresentada se baseava em experiências anteriores acompanhadas pela supervisão do Banco Central.
O depoimento integra o conjunto de apurações da Polícia Federal sobre operações envolvendo o BRB, o Banco Master e instituições ligadas ao grupo, incluindo a análise da exposição do banco público a ativos considerados de maior risco. Em outros depoimentos no inquérito, o Banco Central afirmou que cabe às instituições financeiras a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos adquiridos e pela gestão dos riscos assumidos.
Antes da liquidação da Will, diretor do BC disse que eventuais problemas na instituição poderiam aumentar prejuízo do BRB
Guia Modelo Escrito em 30/01/2026

