Imprensa internacional repercute visto revogado da embaixadora do Brasil nos EUA

Guia Modelo Escrito em 04/08/2026


Governo Trump anuncia revogação de visto da embaixadora do Brasil nos EUA Veículos de imprensa internacionais repercutiram a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O anúncio foi feito nesta terça-feira (4). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Associated Press Associated Press repercute visto de embaixadora Reprodução A agência americana Associated Press (AP) noticiou a revogação. Uma fonte do Departamento de Estado declarou à agência que “Reciprocidade é a palavra-chave”. Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil. Reuters Reuters repercute Reprodução A Reuters destacou que, segundo uma fonte anonima, caso a situação do provável futuro embaixador norte-americano no Brasil seja resolvida, Maria Luiza terá seu visto de volta. "A medida adotada foi a revogação do visto de uma diplomata de alto escalão. Isso não significa que ela tenha sido expulsa do país. Ela continua nos Estados Unidos, mas sem um visto válido, que poderá ser restabelecido caso o equilíbrio seja restabelecido com a concessão do agrément ao embaixador indicado pelos EUA", afirmou a fonte à agência de notícias, em condição de anônimato. A revogação O Departamento de Estado afirmou que a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata. Segundo o governo americano, ela poderá permanecer nos EUA, mas sem um visto válido. O órgão disse ainda que o documento poderá ser restabelecido se o Brasil conceder o aval diplomático. Perez foi indicado ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil em junho. Há duas semanas, a indicação dele recebeu o aval de uma comissão do Senado norte-americano, mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa. Além disso, pela tradição diplomática, antes de um embaixador assumir o posto, o país que irá recebê-lo precisa autorizar a indicação. Segundo o Departamento de Estado, o Brasil ainda não concedeu esse aval. O governo americano alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais de outubro. O Departamento de Estado disse ainda não descartar outras medidas. "Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas." O Itamaraty não havia comentado o anúncio até a última atualização desta reportagem. Maria Luiza Ribeiro Viotti, em imagem de 2011 UN Photo/Eskinder Debebe O cancelamento do visto da embaixadora brasileira foi anunciado 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições. Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil. Em 29 de julho, o blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos. LEIA TAMBÉM Quem é Daniel Perez, o indicado para a embaixada no Brasil que está no centro de nova crise diplomática com os EUA Quem é Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA que teve visto revogado pelo governo Trump Embaixador indicado Daniel Perez é filho de cubanos e tornou-se o impasse do mais novo impasse diplomático entre EUA e Brasil Foto: Reprodução/Senado dos EUA No dia 1º de junho, a Casa Branca anunciou a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Perez, de 38 anos, é presidente da Câmara dos Deputados da Flórida e ainda precisa ser confirmado pelo Senado americano. Se aprovado, ele será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden. O posto está vago desde janeiro de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca. Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida ainda criança, em 1993. Atualmente, ele faz parte do Partido Republicano, o mesmo de Trump, e demonstra apoio às políticas do presidente. O indicado para a Embaixada dos EUA no Brasil estava no comando da Câmara da Flórida desde 2024. No ano passado, ele chegou a ser apontado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado, mas resolveu permanecer na presidência da Casa. Escalada de tensões Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam a jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur. Evelyn Hockstein/Reuters As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho do ano passado, quando o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos. Na época, Trump justificou o tarifaço pelo que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras. Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista após os encontros. No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se reunir com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, nos Estados Unidos. Semanas depois, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1