De 'química' surpreendente na ONU a 'reunião impossível': como foram os encontros anteriores de Lula e Trump

Guia Modelo Escrito em 07/05/2026


Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam com jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur. Evelyn Hockstein/Reuters Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, seus encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram limitados, mas marcantes. Em pouco mais de um ano, eles se encontraram duas vezes: uma conversa breve nos bastidores da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, e outra reunião na Malásia, em outubro. Nesta quinta-feira (7), ao meio-dia, nos EUA, acontece o terceiro encontro. As duas reuniões ao longo do último ano mostram como a relação entre Lula e os Estados Unidos foi sendo construída — mesmo em meio a alguns momentos de tensão — desde a volta de Trump ao poder. A 'química' entre Trump e Lula Trump discursa na ONU em 23 de setembro de 2025 Shannon Stapleton/Reuters Em um ano marcado por novas tarifas impostas por Trump ao Brasil e por declarações contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma boa relação entre o atual presidente brasileiro e o ocupante da Casa Branca poderia parecer improvável. Ainda assim, em 23 de setembro do ano passado, na Assembleia Geral da ONU, a “química” aconteceu. LEIA MAIS: Trump publica carta para Bolsonaro e diz que processo deve terminar 'imediatamente' Durante seu discurso, Trump disse que teve "uma química excelente" com o presidente brasileiro, "que pareceu um cara muito agradável". "Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse Trump. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos. Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA Em seguida, o republicano seguiu com os elogios. "Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Quando eu não gosto, eu não gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal." Apesar das palavras sobre Lula, na ocasião, Trump também criticou indiretamente processo e o Judiciário. Ele afirmou haver "censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos" no Brasil. "O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos", disse Trump, antes de elogiar Lula. A reunião 'impossível' na Malásia Lula e Trump se encontram na Malásia. Ricardo Stuckert/PR Cerca de um mês depois do breve encontro na ONU, os dois Chefes de Estado tiveram uma reunião de 45 minutos, olho a olho — dessa vez, na Malásia. Na conversa, foi discutido: As taxas impostas a produtos brasileiros; Trump disse ser uma honra estar com o presidente do Brasil e que provavelmente eles fariam "alguns bons acordos"; Lula argumentou que a imposição das tarifas ao país não tinha base técnica e que, na verdade, os EUA têm superávit na balança comercial com o Brasil; O petista propôs um cronograma de negociações entre as equipes; Lula pediu a revogação de sanções a autoridades brasileiras, e disse que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro seguiu o devido processo legal; Segundo o chanceler brasileiro, Lula e Trump combinaram visitas recíprocas; Lula também reforçou um pedido para manter a América do Sul como zona de paz, e se propôs a ser interlocutor com a Venezuela. À época, antes da reunião, o presidente norte-americano chegou a sinalizar a possibilidade de acordo com o Brasil sobre as tarifas. "Nós vamos discutir [tarifas] um pouco. Nós sabemos que nós nos conhecemos. Nós sabemos o que cada um quer", disse Trump. Já após o fim da conversa, Lula se disse agradecido e afirmou que ele e Trump conseguiram "fazer uma reunião que parecia impossível". Por fim, o presidente brasileiro disse que a reunião foi construtiva. "Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras", afirmou Lula após o encontro.