Uma visão noturna da Terra , derivada de imagens de satélite capturadas diariamente ao longo da última década Michala Garrison/NASA Earth Observatory/Handout via REUTERS A Terra está, em média, mais iluminada durante a noite, mas não de forma homogênea. Um estudo publicado na quarta-feira (8) na revista Nature com base em imagens de satélite mostra que a luminosidade artificial global cresceu 16% entre 2014 e 2022, impulsionada principalmente pela urbanização e pela expansão do acesso à energia elétrica. Os dados, porém, revelam um cenário mais complexo do que uma simples tendência contínua de crescimento. “Por décadas, mantivemos uma visão simplificada de que a Terra à noite estava apenas ficando cada vez mais brilhante”, afirma o pesquisador Zhe Zhu, da Universidade de Connecticut e autor principal do estudo. “Descobrimos que a paisagem noturna do planeta é, na verdade, altamente volátil.” Veja os vídeos que estão em alta no g1 Crescimento puxado por urbanização e eletrificação O avanço da iluminação noturna foi mais intenso em economias emergentes, especialmente na África Subsaariana e no Sudeste Asiático. Países como Somália, Burundi e Camboja lideraram o aumento. Segundo os pesquisadores, esse movimento reflete não apenas a expansão urbana, mas também a chegada da eletricidade a regiões que antes permaneciam praticamente no escuro. “Não se trata apenas de urbanização. É uma expansão massiva do acesso à energia”, diz Zhu. “Esses números representam uma mudança profunda, à medida que regiões inteiras deixam a escuridão e passam a integrar a rede elétrica global.” Entre os países com maior luminosidade total, os Estados Unidos lideram, seguidos por China, Índia, Canadá e Brasil. Europa vai na direção oposta Na contramão, a Europa registrou uma redução de cerca de 4% na luminosidade noturna no período analisado. A queda não está associada à crise, mas a decisões deliberadas. Governos têm adotado políticas para economizar energia e reduzir a poluição luminosa, como a substituição de lâmpadas antigas por sistemas de LED mais eficientes e o desligamento parcial da iluminação pública durante a madrugada. “A Europa é interessante porque apresenta um padrão de escurecimento estruturado”, afirma Zhu. A França aparece como um dos exemplos mais avançados nesse tipo de estratégia. Escuridão também pode indicar crise Nem toda redução de luz, no entanto, é planejada. O estudo identificou quedas abruptas de luminosidade em países afetados por guerras, desastres ou colapsos econômicos, como Ucrânia, Iêmen, Afeganistão, Haiti e Venezuela. “No caso da Ucrânia, observamos uma queda acentuada e sustentada na iluminação que coincide com a escalada do conflito em 2022”, diz Zhu. Um planeta em transformação constante A análise foi feita com mais de 1 milhão de imagens diárias captadas por satélites, permitindo observar variações com mais precisão do que estudos anteriores. Para os autores, a “paisagem noturna” do planeta está em constante transformação, influenciada por fatores econômicos, tecnológicos e políticos. Impactos vão além da iluminação O aumento da luz artificial também traz consequências ambientais e para a saúde. “A poluição luminosa tem efeitos profundos, afetando ecossistemas noturnos, migração de animais e até os ritmos biológicos humanos”, afirma Zhu.
Terra está ficando mais iluminada à noite, mostram dados de satélite; veja IMAGEM
Guia Modelo Escrito em 09/04/2026
Uma visão noturna da Terra , derivada de imagens de satélite capturadas diariamente ao longo da última década Michala Garrison/NASA Earth Observatory/Handout via REUTERS A Terra está, em média, mais iluminada durante a noite, mas não de forma homogênea. Um estudo publicado na quarta-feira (8) na revista Nature com base em imagens de satélite mostra que a luminosidade artificial global cresceu 16% entre 2014 e 2022, impulsionada principalmente pela urbanização e pela expansão do acesso à energia elétrica. Os dados, porém, revelam um cenário mais complexo do que uma simples tendência contínua de crescimento. “Por décadas, mantivemos uma visão simplificada de que a Terra à noite estava apenas ficando cada vez mais brilhante”, afirma o pesquisador Zhe Zhu, da Universidade de Connecticut e autor principal do estudo. “Descobrimos que a paisagem noturna do planeta é, na verdade, altamente volátil.” Veja os vídeos que estão em alta no g1 Crescimento puxado por urbanização e eletrificação O avanço da iluminação noturna foi mais intenso em economias emergentes, especialmente na África Subsaariana e no Sudeste Asiático. Países como Somália, Burundi e Camboja lideraram o aumento. Segundo os pesquisadores, esse movimento reflete não apenas a expansão urbana, mas também a chegada da eletricidade a regiões que antes permaneciam praticamente no escuro. “Não se trata apenas de urbanização. É uma expansão massiva do acesso à energia”, diz Zhu. “Esses números representam uma mudança profunda, à medida que regiões inteiras deixam a escuridão e passam a integrar a rede elétrica global.” Entre os países com maior luminosidade total, os Estados Unidos lideram, seguidos por China, Índia, Canadá e Brasil. Europa vai na direção oposta Na contramão, a Europa registrou uma redução de cerca de 4% na luminosidade noturna no período analisado. A queda não está associada à crise, mas a decisões deliberadas. Governos têm adotado políticas para economizar energia e reduzir a poluição luminosa, como a substituição de lâmpadas antigas por sistemas de LED mais eficientes e o desligamento parcial da iluminação pública durante a madrugada. “A Europa é interessante porque apresenta um padrão de escurecimento estruturado”, afirma Zhu. A França aparece como um dos exemplos mais avançados nesse tipo de estratégia. Escuridão também pode indicar crise Nem toda redução de luz, no entanto, é planejada. O estudo identificou quedas abruptas de luminosidade em países afetados por guerras, desastres ou colapsos econômicos, como Ucrânia, Iêmen, Afeganistão, Haiti e Venezuela. “No caso da Ucrânia, observamos uma queda acentuada e sustentada na iluminação que coincide com a escalada do conflito em 2022”, diz Zhu. Um planeta em transformação constante A análise foi feita com mais de 1 milhão de imagens diárias captadas por satélites, permitindo observar variações com mais precisão do que estudos anteriores. Para os autores, a “paisagem noturna” do planeta está em constante transformação, influenciada por fatores econômicos, tecnológicos e políticos. Impactos vão além da iluminação O aumento da luz artificial também traz consequências ambientais e para a saúde. “A poluição luminosa tem efeitos profundos, afetando ecossistemas noturnos, migração de animais e até os ritmos biológicos humanos”, afirma Zhu.

