'Não dou mais conta de viver de aparência': mensagens expõem vida dupla de família de missionários envolvida com facção

Guia Modelo Escrito em 14/09/2026


Vida dupla do crime Mensagens obtidas pela polícia durante uma investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Mato Grosso revelam a vida dupla de uma família que atuava como missionária em presídios do estado e que acabou sendo alvo de apuração por suposta associação com integrantes do Comando Vermelho. Entre os diálogos interceptados, uma frase chamou a atenção dos investigadores: “Não dou mais conta de viver de aparência”, escreveu a pastora Orminda Almeida à filha, Rhavenna Barcelos de Almeida. A resposta veio em seguida: “Somos uma família suja”. LEIA TAMBÉM: Da pregação nos presídios ao envolvimento com o crime organizado: investigação revela suposta vida dupla de missionária mensagens expõem vida dupla de família de religiosos envolvida com facção Reprodução/TV Globo De acordo com a investigação, Rhavenna e os pais, Nivaldo e Orminda Almeida, integravam um grupo autorizado a prestar assistência religiosa em unidades prisionais de Mato Grosso. A atuação do trio dentro dos presídios passou a ser monitorada após denúncias de que eles manteriam vínculos com membros da facção criminosa. Segundo a polícia, os investigados teriam usado o acesso às penitenciárias para fortalecer contatos com integrantes da organização criminosa. O delegado Victor Hugo Caetano afirmou que o grupo transportava recados, movimentava recursos financeiros e emprestava contas bancárias para ocultação de valores ligados ao tráfico de drogas. Investigação revelou a suposta atuação de uma família de missionários religiosos em um esquema ligado ao crime organizado Reprodução/TV Globo Relação com lideranças do crime As investigações apontam que um dos principais elos da família com a facção seria Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Condenado a 49 anos de prisão, ele cumpria pena na Penitenciária Central do Estado quando teve contato com os missionários. Após deixar o presídio em regime semiaberto, Batman rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Mensagens analisadas pela polícia mostram que Rhavenna sabia a localização do foragido e mantinha contato frequente com ele. Os investigadores concluíram ainda que os dois tinham um relacionamento amoroso. Conversas obtidas no inquérito registram trocas de mensagens sobre operações policiais no Rio de Janeiro e demonstram preocupação de Rhavenna com a segurança do traficante durante ações realizadas na região. Missionária suspeita de envolvimento com crime organizado mantinha relacionamento com criminosos, diz polícia Reprodução/TV Globo Ostentação e movimentação de dinheiro O material apreendido inclui fotos, vídeos e áudios que, segundo a polícia, demonstram a proximidade da família com integrantes da facção. Entre os registros estão imagens de armas de fogo, joias, grandes quantias em dinheiro e carros de luxo. Em um dos áudios atribuídos a Rhavenna, ela afirma que precisava retirar dinheiro de casa para entregá-lo a outra pessoa. A investigação sustenta que a filha e os pais participavam da movimentação de recursos provenientes do tráfico. Para os investigadores, a rotina da família contrastava com o discurso religioso apresentado durante trabalhos de evangelização em presídios e eventos religiosos. Investigação revela envolvimento de missionária com o crime organizado Reprodução/TV Globo Outro relacionamento com líder do CV A polícia também identificou uma relação entre Rhavenna e Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico e organização criminosa, Renildo aparecia em conversas e chamadas de vídeo com a investigada. Segundo o inquérito, o preso enviava presentes para Rhavenna, incluindo joias e um carro. O delegado Victor Hugo Caetano afirmou que a família também teria atuado na lavagem de dinheiro em benefício de Renildo. Missionária suspeita de envolvimento com crime organizado mantinha relacionamento com criminosos, diz polícia Reprodução/TV Globo Indiciamentos e defesa Rhavenna, Orminda e Nivaldo Almeida foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além deles, outras mulheres ligadas ao grupo religioso foram indiciadas por falso testemunho, sob a acusação de terem mentido sobre a relação que mantinham com traficantes durante depoimentos à polícia. A Justiça de Mato Grosso proibiu a família investigada e outros envolvidos de participarem de atividades de assistência religiosa em presídios do estado. As visitas dos demais grupos cadastrados continuam autorizadas. Em nota, a defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. A defesa de Orminda também negou qualquer participação da investigada em organização criminosa. Investigação revela suposta vida dupla de missionária Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.