Três engenheiros do Vale do Silício são presos acusados de roubar dados do Google para mandar para o Irã

Guia Modelo Escrito em 20/02/2026


Logo do Google em uma convenção de tecnologia em Paris, na França, em 25 de maio de 2018 CHARLES PLATIAU/Reuters Três engenheiros do Vale do Silício foram presos na quinta-feira (19) acusados de roubar segredos comerciais do Google e de outras grandes empresas de tecnologia para enviar ao Irã, informou a procuradoria do Distrito Norte da Califórnia, dos EUA. Eles também são acusados de obstruir a Justiça. Entre os presos, estão as irmãs Samaneh Ghandali, de 41 anos, e Soroor Ghandali, de 32. O terceiro réu é Mohammad Khosravi, 40, marido de Samaneh. Samaneh Ghandali e Soroor Ghandali trabalharam no Google antes de irem para outra empresa de tecnologia identificada no processo como “Empresa 3”. Já Khosravi, marido de Samaneh, trabalhou em uma companhia identificada como “Empresa 2”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os três devem voltar ao tribunal em 20 de fevereiro de 2026, quando será definida a representação legal, perante a juíza Susan van Keulen. Se condenados, cada um pode pegar até 10 anos de prisão e multa de US$ 250 mil por cada acusação de conspiração para roubo de segredos comerciais e de roubo ou tentativa de roubo. No caso de obstrução de procedimento oficial, a pena máxima pode chegar a 20 anos de prisão e multa de US$ 250 mil. Quais são as acusações Segundo a acusação, os réus usaram seus cargos para obter acesso a informações confidenciais e sensíveis. Eles também teriam transferido documentos confidenciais do Google e de outras empresas para locais não autorizados, como dispositivos de trabalho ligados aos empregadores uns dos outros, aparelhos pessoais, além de mandarem para o Irã. Esses documentos tinham segredos comerciais relacionados à segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias. A denúncia descreve que, enquanto trabalhava no Google, Samaneh Ghandali teria transferido centenas de arquivos para uma plataforma de comunicação de terceiros, em canais que levavam os primeiros nomes de cada um dos acusados. Soroor Ghandali também é acusada de ter transferido diversos arquivos do Google para esses canais enquanto ainda era funcionária da empresa. Posteriormente, esses documentos teriam sido copiados para dispositivos pessoais, para o computador de trabalho de Khosravi na “Empresa 2” e para o equipamento profissional de Soroor na “Empresa 3”. Ocultamento de informações Ainda de acordo com a acusação, os três tentaram ocultar as ações por meio da entrega de declarações juramentadas falsas às empresas vítimas, negando condutas relacionadas aos segredos comerciais roubados. Eles também são acusados de destruir arquivos e registros eletrônicos e adotar métodos para evitar a detecção das ações, como fotografar manualmente telas de computador com documentos confidenciais, em vez de transferir os arquivos completos por plataformas digitais. Em agosto de 2023, após os sistemas internos de segurança do Google detectarem atividades de Samaneh Ghandali e revogarem seu acesso aos recursos da empresa, ela teria assinado uma declaração afirmando que não tinha compartilhado informações confidenciais fora da companhia. Segundo a denúncia, ela e Khosravi passaram então a pesquisar e acessar sites sobre como excluir comunicações e dados, incluindo informações sobre quanto tempo operadoras de celular mantêm mensagens “para imprimir em tribunal”. O casal continuou acessando segredos comerciais armazenados em dispositivos pessoais e, ao longo de meses, teria fotografado manualmente centenas de telas de computador com informações confidenciais do Google e da “Empresa 2”. Na noite anterior a uma viagem ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh Ghandali teria feito cerca de 24 fotografias da tela do computador de trabalho de Khosravi, contendo informações sigilosas da “Empresa 2”. Já no Irã, um dispositivo pessoal associado a Samaneh teria acessado essas imagens, enquanto Khosravi teria acessado outras informações confidenciais da empresa. Em nota, o procurador federal dos Estados Unidos Craig H. Missakian afirmou que os acusados “exploraram suas posições para roubar segredos comerciais confidenciais de seus empregadores” e que o escritório continuará atuando para proteger a inovação americana e processar indivíduos que roubem tecnologias sensíveis para ganho indevido ou para beneficiar países hostis. O agente especial do FBI responsável pelo caso, Sanjay Virmani, disse que as ações descritas na denúncia representam “uma traição calculada de confiança” e que os acusados teriam adotado medidas deliberadas para evitar detecção e ocultar suas identidades. Ele afirmou que proteger a inovação do Vale do Silício e as tecnologias que impulsionam a economia e a segurança nacional é prioridade da agência. Veja mais: Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini – e os fiz contar mentiras sobre mim Criador do ChatGPT se recusa a posar de mãos dadas para foto com rival em evento de IA Como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais