Eleições na Colômbia: candidato de direita e apoiado por Trump, Espriella lidera apuração com margem apertada

Guia Modelo Escrito em 21/06/2026


Candidato de direita Abelardo De La Espriella gesticula entre apoiadores durante 2º turno das eleições presidenciais da Colômbia em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. REUTERS/Jair Coll O candidato de direita Abelardo de la Espriella lidera por margem apertada a apuração dos votos no 2º turno da eleição presidencial da Colômbia neste domingo (21), segundo contagem preliminar divulgada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) colombiano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Tigre, continência, K-pop, camisa da seleção: os símbolos do 2º turno na Colômbia Espriella, apoiado pelo presidente norte-americano Donald Trump, tinha 49,65% dos votos com 99,65% das urnas apuradas, segundo dados divulgados pelo CNE por volta das 19h35 no horário de Brasília. Já o senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, aparecia com 48,7% dos votos. A vantagem de Espriella era de cerca de 248 mil votos, o que representa menos de 1% de diferença entre os candidatos. 👉 Na eleição colombiana, a apuração tem duas etapas. A primeira é o chamado "preconteo", uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação usada para projetar os resultados. Mas, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o "escrutínio", em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências. A apuração final iniciará na segunda-feira (22). Segundo o CNE, 26 milhões de colombianos votaram no pleito, uma participação de cerca de 63,4%. Cerca de 40 milhões de eleitores estavam aptos a votar. Os votos em branco somaram pouco mais de 425 mil. Eleições na Colômbia: 2º turno com disputa entre candidato de Petro e apoiado por Trump Petro afirmou durante a contagem preliminar que "não se pode declarar nenhum dos candidatos presidente", e que é preciso esperar o "escrutínio" do CNE. "É a apuração que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. (...) A realidade nos mostra um país dividido ao meio e interferência estrangeira tirando nossa liberdade", disse. A votação se encerrou às 18h no horário de Brasília deste domingo. O CNE afirmou que a votação ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes, e com espectadores internacionais, como representantes da OEA e da União Europeia. A eleição definirá os rumos do país latino-americano pelos próximos quatro anos: a continuidade de um governo de esquerda, com Iván Cepeda, ou uma guinada à direita, com Abelardo de la Espriella. Essa dictomia fez com que a eleição se tornasse uma "queda de braço" entre o atual presidente Gustavo Petro e o presidente dos EUA, Donald Trump. Caso a vitória de Espriella seja confirmada, o resultado pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina. Isso porque a Colômbia pode se juntar a diversos países latino-americanos que elegeram governos direitistas nos últimos anos, como no Chile, com Jorge Kast, e a Bolívia, com Rodrigo Paz. Mais cedo neste domingo, Petro afirmou que respeitaria o resultado das eleições —ele rejeitou a contagem do 1º turno. Mesmo assim, o atual presidente pediu por uma mobilização da população para vigiar as atas eleitorais. Cepeda também falou que respeitará o veredito, porém falou em fazer uma "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração. Após o fim da votação, Espriella afirmou em vídeo nas redes sociais que quer ser lembrado como "o reconstrutor da pátria". Apoiador de Aberlardo de la Espriella vota durante 2º turno das eleições presidenciais, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. Jair Coll/ Reuters 'Queda de braço' entre esquerda e direita A atual eleição presidencial é apontada pela imprensa colombiana como o mais antagônico da história recente do país: Já Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do atual governo, fator-chave para alçá-lo como favorito nas primeiras pesquisas de intenção de voto. No entanto, o candidato de Petro também herdou o desgaste da gestão de Petro por dificuldades no combate ao crime organizado. O esquerdista Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia, vota no 2º turno das eleições presidenciais, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. Sergio Acero/ Reuters Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como um "salvador anti-establishment" e repete promessas de campanha de nomes da direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Ele também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado; Leia mais sobre os projetos dos dois candidatos para a Colômbia. 👉 Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno das eleições. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella. O candidato à presidência da Colômbia Abelardo de la Espriella, de direita, mostra sua cédula de votação durante 2º turno das eleições presidenciais do país, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026. Ivan Valencia/AP Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro. Mas foi o discurso do candidato da direitista que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia - fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado. “A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters. Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis. Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda. Temor de contestação e violência nas ruas Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita) Reuters A contestação aumentou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique os resultados no caso de uma vitória de Espriella. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem um resultado. Autoridades temem que a contestação por uma das partes dos resultados incentivem protestos nas ruas e aumentem episódios de violência que ocorreram durante o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos em pesquisas de intenção de voto até então, foi assassinado durante um comício. Direita na América Latina Homem segura adesivos com imagens dos dois candidatos à presidência no segundo turno da Colômbia, imitando figurinhas da Copa do Mundo, em 4 de junho de 2026. Jose Vargas/ Reuters Caso De la Espriella vença, a onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente. O resultado pode respaldar um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile. Agora no g1