Israel bombardeia Gaza e mata palestino que organizava transmissões da Copa do Mundo

Guia Modelo Escrito em 08/07/2026


Hamas anuncia que vai entregar o governo da Faixa de Gaza Um ataque israelense na Faixa de Gaza matou um funcionário palestino da área de ajuda humanitária que organizava as transmissões públicas dos jogos da Copa do Mundo em várias regiões do território, segundo autoridades locais de saúde. A ofensiva aconteceu pouco antes da partida entre Egito e Argentina. A explosão transformou o que seria um momento de celebração — a exibição ao vivo de uma possível vitória de uma seleção árabe — em mais um retrato do impacto dos ataques quase diários de Israel em Gaza, que continuam provocando mortes de civis apesar do cessar-fogo firmado em outubro. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O bombardeio atingiu um carro no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, no anoitecer de terça-feira (7). Morreram Mohamed al-Wahidi, integrante do Comitê Egípcio em Gaza; os irmãos Hamza al-Deri, de 10 anos, e Fari al-Deri, de 8 anos, que passavam pelo local; além do motorista Ahmed Daghmush, de 33 anos. As informações são do diretor do Hospital Shifa, Mohamed Abu Selmiya, que recebeu os corpos. As Forças Armadas de Israel afirmaram que Al-Wahidi, responsável por ajudar a organizar as transmissões dos jogos, não era o alvo da operação. Segundo os militares, o ataque tinha como objetivo um integrante do Hamas, e as autoridades apuram se Daghmush era o alvo pretendido. De acordo com Abu Selmiya, Daghmush trabalhava como taxista e não era conhecido por ter ligação com grupos armados. Leia mais Hamas anuncia saída do governo de Gaza e abre caminho para comitê gestor F-35: por que caça norte-americano virou motivo de disputa entre Turquia, Israel e EUA Mercados globais caem após Trump declarar fim de acordo de paz com o Irã; petróleo sobe mais de 5% Cerca de meia hora antes, outro ataque israelense havia atingido a mesma rua, mas sem deixar vítimas. O Comitê Egípcio em Gaza, onde Al-Wahidi atuava, é o braço humanitário do governo do Egito. A entidade fornece alimentos, abrigo e outros tipos de assistência aos palestinos e foi responsável por instalar telões em diferentes áreas de Gaza para a transmissão das partidas da Copa do Mundo. Grande parte da diáspora palestina vive no Egito, que desempenhou papel central na mediação do cessar-fogo entre Israel e Hamas. Israel bombardeia Gaza e mata funcionário que organizava transmissões da Copa Yousef Al Zanoun / AP Desde o início do torneio, a seleção egípcia ganhou ainda mais apoio entre os palestinos de Gaza. O técnico Hossam Hassan tem chamado atenção para a situação dos palestinos em entrevistas e durante os jogos. Após a vitória sobre a Austrália, na sexta-feira (3), ele dedicou o resultado aos egípcios e aos palestinos e entrou em campo com uma bandeira da Palestina. Na entrevista coletiva antes da partida contra a Argentina, na segunda-feira (6), Hassan fez um apelo à comunidade internacional. "Faço um apelo a vocês, aos profissionais da imprensa e aos atletas de todo o mundo, independentemente de quem sejam. Talvez possamos transmitir uma mensagem coletiva: deixem o povo palestino existir. Deixem que tenha o direito de viver sua própria vida", afirmou. O Comitê Egípcio em Gaza, onde Al-Wahidi atuava, é o braço humanitário do governo do Egito. A entidade fornece alimentos, abrigo e outros tipos de assistência aos palestinos e foi responsável por instalar telões em diferentes áreas de Gaza para a transmissão das partidas da Copa do Mundo. Yousef Al Zanoun / AP Israel afirma que seus ataques têm como alvo integrantes de grupos armados e diz lamentar as mortes de civis. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro, pelo menos 1.084 pessoas morreram, entre elas 258 crianças. No mesmo período, cinco soldados israelenses também morreram. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, o número de mortos na guerra chegou a 73.110. O órgão não diferencia civis de combatentes, mas afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade das vítimas. As estatísticas são consideradas, em geral, confiáveis por agências das Nações Unidas e especialistas independentes. A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo outras 251 reféns.